Comentários das Liturgias

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Is 5,1-7 / Sl 79 / Fl 4,6-9 / Mt 21,33-43

 

jesusPregandoNo Evangelho deste domingo continuamos meditando os diálogos de Jesus com as autoridades de sua época; diálogos que tornam cada vez mais explícita a diferença entre o projeto do Reino dos Céus, proclamado e vivido por Jesus, e o projeto assumido pelos poderosos de sua época. Desta vez, o diálogo de Jesus é com os Sumos Sacerdotes e com os anciãos, ou seja, com as autoridades civis e religiosas mais importantes da sociedade judaica de então. Com a parábola dos vinhateiros, Jesus revela o profundo amor de Deus pelo seu povo, e Sua expectativa da resposta a esse amor, por meio de bons frutos, ou seja, de atitudes concretas que manifestem Seu Reino no meio do mundo.


A vinha era uma realidade próxima do cotidiano de subsistência vivido pelo povo e, no imaginário da cultura judaica, era também o símbolo do amor. Por isso o profeta Isaías e também o Salmo 79 utilizam da figura da vinha para refletir sobre o profundo amor de Deus para com seu povo, revelado na ação libertadora no Egito e na Aliança com ele firmada. O salmo 79 faz memória da ação divina de "arrancar" o povo no Egito e "plantá-lo" na terra prometida, e invoca novamente o cuidado de Deus para com sua vinha. Isaísas recorda o profundo amor de Deus, descrevendo as atitudes do agricultor que preparou sua vinha com muito cuidado e carinho: cercou-a, limpou das pedras, plantou videiras escolhidas, construiu uma torre e um lagar para esmagar as uvas. Entretanto, ficou frustrado ao perceber que sua vinha tão querida não produzia bons frutos, mas apenas uvas selvagens; ao invés de justiça, somente injustiças, no lugar de obras de bondade, apenas iniquidade.


Jesus retoma essa tradição literária em sua parábola e a atualiza, recordando a história de fé do povo de Israel. Ao referir-se aos empregados enviados pelo dono da vinha para receber os frutos, Jesus recorda a missão dos profetas do Antigo Testamento, mensageiros enviados pelo Senhor para lembrar o povo do seu compromisso em produzir bons frutos; mas todos eles foram rejeitados, perseguidos e até assassinados. Jesus encerra a parábola anunciando seu próprio martírio, como consequência de suas palavras e de seus gestos de amor, os quais provocam a rejeição das autoridades de sua época, que não produzem os frutos esperado por Deus e não reconhecem seus pecados. Jesus não apenas anuncia o embate final com os poderes estabelecidos de então, como revela a intenção das autoridades e provoca seu autojulgamento, fazendo-as afirmar publicamente não serem dignas do amor recebido de Deus e da missão que lhes fora confiada na Aliança, de serem a presença da bênção divina no meio do mundo.


Essa missão foi confiada ao Novo Povo de Deus, nascido na Nova Aliança firmada por Jesus com toda a humanidade, em Sua morte e ressurreição. Esse povo é a Igreja, da qual fazemos parte pela graça do Batismo, recebendo a alegria de sermos profundamente amados por Deus e também a missão de produzir bons frutos no meio do mundo. Esta missão já São Paulo recordava aos cristãos de Felipos, que deviam confiar na imensa bondade do Senhor, mas também ocupar-se somente do que é virtuoso ou que mereça louvor, buscando o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso; ou seja, empenhar-se em produzir os bons frutos de justiça e de bondade que o Senhor espera de nós, assim como o agricultor deseja uvas saudáveis de sua vinha.

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