Comentários das Liturgias

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO
2Sm 5,1-3 / Sl 121 / Cl 1,12-20 / Lc 23,35-43

 

solenidadeJesusReiUniversoCelebrando o último domingo do ano litúrgico, nossa Igreja convida-nos a contemplar na fé e na esperança a realização plena do projeto de Deus, de libertar a humanidade de todo mal e instaurar o seu Reino de justiça, amor e paz.


Proclamamos, pois, que Jesus Cristo é o Senhor e Rei de todo o universo e que nós consagramos a Ele a nossa vida e a nossa história.

São Paulo, em sua Carta aos Colossenses nos apresenta a realeza de Cristo como realização do plano divino de nos libertar do poder do pecado e da morte, e nos fazer participar do seu Reino. Jesus, enquanto primogênito de toda a criação é o Senhor absoluto de todo o universo, pois por Ele e para Ele tudo foi criado, as coisas materiais e também as estruturas históricas e sociais. Por meio dEle, todo o universo foi reconciliado com Deus.

 

Quando usamos a terminologia de reino ou de rei, sempre lembramos das formas humanas de autoridade e de governo, as quais muitas vezes confundem-se com dominação e opressão. Para celebramos e nos comprometermos com o reinado de Cristo, precisamos compreender que se trata de uma proposta alternativa, fundamentada nos valores divinos, de vida, fraternidade e paz.

 

No início de sua história, o povo de Deus não tinha rei. Todos viviam em comunidade tendo a família, o clã, como estrutura fundamental. Com a escolha de Saul, e depois de Davi, como rei, os clãs foram unificados em uma monarquia. A história mostrou que os reis sucessores de Davi não foram fiéis ao projeto de Deus e não apascentaram o povo com justiça. A corrupção e a idolatria fizeram com que o povo perdesse a terra e a liberdade, sendo levado para o exílio da Babilônia. A partir daí, nasce a esperança de um novo rei, justo e santo, o ungido de Deus, o Messias, capaz de instaurar um tempo novo para o povo, de justiça e de paz.


Entretanto, essa esperança messiânica sempre foi associada a retomada do poder político, nos moldes humanos. Por isso Jesus decepcionou a muitos quando recusou tornar-se rei e iniciar uma guerra contra os dominadores estrangeiros. Muitos reconheciam que, por suas palavras e gestos, Ele era o enviado de Deus, mas não aceitaram sua opção de rejeitar a violência e entregar sua vida na cruz. É, portanto, na cruz, que Jesus revela plenamente o sentido do seu reinado. Seu reino não é de morte e de violência, mas de misericórdia e de paz. Suas palavras na cruz, perdoando seus assassinos e o ladrão arrependido, revelam que Ele é o Rei do Universo, mas no caminho do amor e não da opressão. Os chefes e soldados exigiam de Jesus um gesto de poder, para libertar a si mesmo da cruz. Esta é a concepção do poder humano, utilizado em benefício próprio. Jesus revela ser um Rei diferente, que usa de seu poder para salvar a humanidade e não a si mesmo.

 

Somos pois, convidados a aderir ao reinado de Cristo e nos colocarmos a serviço de sua realização na realidade em que vivemos, sabendo que será sempre uma manifestação temporária e limitada. Com a ressurreição de Cristo, a glória divina já se manifestou em nossa história, mas ainda é ofuscada pelo pecado que persiste em nosso mundo. Mas cremos e esperamos confiantes, que esse Reino será pleno, quando Cristo vier em sua glória, afim de que Deus seja tudo em todos.

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