Comentários das Liturgias

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Is 49,3.5-6 / Sl 39 / 1Cor 1,1-3 / Jo 1,29-34

 

2o TCAOs primeiros domingos do Tempo Comum nos trazem o convite para meditar sobre a missão de Jesus como o enviado de Deus que se aproxima da humanidade para oferecer a salvação. Jesus, ao se fazer semelhante a nós, assumiu também a dimensão vocacional que todo ser humano possui. Deu um sentido e traçou um itinerário para a Sua vida, afim de corresponder ao projeto amoroso de Deus. Somos pois, convidados a contemplar na liturgia deste domingo, a vocação de Jesus, de ser o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e por amor a Jesus, assumir a nossa vocação de discípulos missionários.


O tema da vocação encontramos também na saudação que Paulo faz a comunidade, em sua carta aos Coríntios. A semelhança de uma apresentação, Paulo testemunha que fora chamado por Deus para ser apóstolo. Considera-se, pois, um vocacionado, que assumiu a missão de anunciar o Evangelho não por vontade própria, mas para cumprir a vontade de Deus. E ainda mais, lembra aos cristãos de Corinto e a nós, que Cristo nos santificou para que assumíssemos nossa vocação de viver como filhos de Deus, pois fomos chamados a ser santos na comunhão eclesial.


Igualmente Isaías, no segundo cântico do servo de Iahweh, apresenta a vocação do servo do Senhor. Ele fora chamado desde o nascimento para se colocar a serviço do plano de Deus, e sua missão é de ser luz para as nações, para que a salvação que vem de Deus chegue aos confins de toda a terra, seja estendida a toda a humanidade.


Quando João Batista apresenta Jesus como o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, revela Sua vocação, a partir da intrínseca relação existente entre a identidade e a missão de Jesus. Na cultura judaica usava-se a mesma palavra para designar "cordeiro" e "servo": talya. lembrando a mansidão do cordeiro, mesmo diante da morte. Assim, a identidade de Jesus é fazer-se servo do plano de Deus para a humanidade de forma radical, entregando Sua vida, à semelhança do cordeiro imolado. A entrega que Jesus fez de sua vida de forma radical não foi uma imposição de fora ou uma decisão momentânea, mas consequência da compreensão de si mesmo, de sua identidade.


A missão de Jesus, anunciada por João, é de arrancar a raiz de todos os males que atormentam a humanidade. Por isso, a palavra "pecado" dita no singular indica o mal que pode tomar conta do ser humano e do mundo, impedindo que a vida floresça de maneira plena. Trata-se da desobediência, de não querer fazer a vontade de Deus, mas a vontade própria, gerando assim toda forma de injustiça, de escravidão social, física ou afetiva. É o pecado que impede a plena realização humana. Jesus, servo fiel até o fim, liberta a humanidade do pecado em sua morte e ressurreição. Eis que faço, com prazer, a vossa vontade, nos ensina o Salmo 39.


Também nós devemos compreender que a nossa identidade de cristãos nos torna instrumentos do plano de Deus, de tirar o pecado do mundo. É dessa forma que devemos entender a nossa missão, não como algo acrescentado de fora e que pode ser entendido como um peso, mas como algo que brota do interior e que dá sentido para a nossa existência. É na prática do amor e da justiça, assumida livremente que nos realizamos como pessoas e fazemos a vontade de Deus, levando ao mundo luz e salvação.

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