Comentários das Liturgias

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Is 49,14-15 / Sl 61 / 1Cor 4,1-5 / Mt 6,24-34

 

jesusPregandoVivendo em uma sociedade capitalista, cujas relações sociais são determinadas pelo econômico, somos tentados a colocar o sentido de nossa vida e a nossa segurança na posse de bens materiais. Nessa sociedade o maior ídolo é o dinheiro. Entre todos os bens materiais, o dinheiro é único que não pode sustentar nossa vida, pois não serve para saciar nossa fome e nossa sede, nem tampouco nos abriga ou nos dá saúde. Entretanto, a ele foi atribuído o poder de comprar tudo, e segundo a mentalidade que impera hoje, até mesmo de comprar a felicidade. Em vista disso, somos educados a curvar-nos diante do dinheiro, assumindo-o como a única possibilidade de sustento e segurança para a nossa vida. Aqueles que não conseguem ter acesso ao ídolo dinheiro, sentem-se frustrados e infelizes, perdendo o sentido de viver. Outros, para obtê-lo, são capazes das mais desumanas atitudes; abandonando todos os valores éticos e espirituais, se deixam corromper, submetendo-se inteiramente aos seus ditames. Nesse contexto, a justiça que prevalece é a do mais forte e mais rico, e não a justiça do Reino de Deus, que garante vida plena para todos.


Precisamos do dom do discernimento para compreender que os bens materiais são importantes para vivermos com dignidade, mas eles não tem subsistência própria, ou seja, não existem por si mesmos, como se fossem deuses. Pelo contrário, foram criados por Deus e são oferecidos pelo Senhor, em Seu amor à humanidade, como dons gratuitos. Quando damos demasiada importância aos bens materiais, transformamo-los em ídolos, os quais passam a ocupar o lugar de Deus em nossa vida. Devemos utilizar os bens materiais em nosso favor e não nos submetermos ao seu domínio, vivendo em função deles.


Jesus nos convida a vencer a idolatria do dinheiro, e por conseguinte de todos os bens materiais, e renovar a nossa confiança no amor de Deus, que cuida de cada um de nós em sua paternal bondade e providência. Lembremos que, entre todas as obras de seu ato criador, Deus fez somente o ser humano à sua imagem e semelhança, concedendo-lhe dignidade superior a dos animais e das plantas. E Jesus lembra que, se Deus cuida com amor das plantas e dos animais, revestindo-os de beleza e provendo o necessário para sua vida, muito mais cuidará do ser humano, a quem concedeu a graça de seu amor paternal.


Esse amor divino é testemunhado de forma maravilhosa pelo profeta Isaías, ao anunciar a esperança ao povo exilado na Babilônia. Longe da terra e sem liberdade, o povo reconhecia que estava naquela condição de sofrimento porque quebrara a aliança com o Senhor e temia não mais ser amado por Deus. Isaías então, compara o amor divino ao amor materno que, com certeza, é o mais sublime e inquestionável. E afirma que, mesmo que a mãe esqueça o filho que gerou, Deus jamais o fará. O amor de Deus, pois, é infinitamente superior ao amor de mãe, do qual não podemos duvidar jamais.


Quem confia somente nos bens materiais, especialmente no dinheiro, torna-se autossuficiente e fecha seu coração para a graça de Deus e também se torna um obstáculo a concretização da justiça do Reino de Deus. Ao contrário, aquele que, humildemente se faz um servo fiel de Cristo, como nos pede São Paulo, abre-se à ação da bondade do Senhor, tornando-se colaborador da providência divina, que conduz a história, afim de que o Reino de Deus e sua justiça se realizem plenamente.

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