Comentários das Liturgias

3º DOMINGO DA QUARESMA

3º DOMINGO DA QUARESMA
Ex 17,3-7 / Sl 94 / Rm 5,1-2.5-8 / Jo 4,5-42

 

JesusOrandoDeus criou o ser humano com uma abertura ao infinito, para buscar sempre mais Seu divino amor. Os anseios que todo ser humano possui em seu coração, somente Deus pode saciar, e nada deste mundo finito e limitado pode substituir essa graça divina. Assim, nossas sedes existenciais movem nossos passos à procura da fonte da água viva, para saciar nossa sede de paz. Mas essa busca pelo sentido da vida também pode nos afastar do caminho de Deus, pois nossa cultura materialista faz uso dessa abertura ao infinito para iludir o ser humano com promessas de realização fundadas na posse de bens, na vida de aparências, no prazer momentâneo.


No diálogo com a mulher samaritana, Jesus se revela como a fonte da água viva, que sacia toda sede. Nas palavras daquela mulher reconhecemos a necessidade que todo ser humano possui do amor divino e, no gesto de Jesus, esse amor divino é oferecido a toda humanidade. A samaritana é o símbolo da pessoa que ainda não conseguira saciar suas sedes, vivendo uma vida sem sentido. Mas, no encontro com Jesus, ela pede a água viva, revelando crer que somente Ele pode saciar essa sede do amor de Deus.


São Paulo nos dá a certeza desse amor divino que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. E também recorda que a prova desse amor divino nos foi dada por Jesus, que ofereceu sua vida pela nossa salvação quando ainda éramos pecadores. Deus nos ama mesmo quando não o amamos, pois sabe que somente Seu amor pode renovar nossa vida.


A água é um símbolo que perpassa toda a história da salvação, revelando a graça divina que gera a vida, como contemplamos no episódio de Massa e Meriba, quando o povo peregrino no deserto, murmurou contra Deus por causa da falta de água. Deus então fez a água jorrar da rocha, manifestando seu poder que gera e sustenta a vida. Revela também que a água é um dom de Deus, que manifesta Seu amor oferecido de forma gratuita e sem exclusões.
E a água se torna ainda mais importante em nossa vida espiritual porque, por meio dela, recebemos o dom da Vida Nova no Sacramento do Batismo. A água assim, não é somente sinal da vida física que nos é doada e sustentada por Deus, mas também da Vida Nova que Jesus nos concedeu em sua morte e ressurreição, da qual participamos pela graça do Batismo. Nesse sentido o diálogo de Jesus com a samaritana tem um caráter batismal, convidando os catecúmenos a reconhecer suas sedes existenciais e fazer o firme propósito aceitar Jesus como a única fonte da água viva. O batismo nos une definitivamente a Cristo, e viver essa graça batismal é buscar somente em Jesus a água viva que tem o poder de saciar todas as nossas sedes existenciais.


As atitudes da samaritana revelam que ela se tornou discípula, pois reconheceu Jesus como Salvador, fonte da água viva. Mas também tornou-se missionária, pois foi anunciar aos irmãos samaritanos que havia encontrado o Messias prometido. Seu coração, saciado pelo amor de Jesus, transbordou essa água viva ao seu redor. Por meio do seu testemunho, os samaritanos acreditaram em Jesus e o acolheram como o Salvador. Cabe a nós, batizados, reconhecer que Jesus é a única fonte que sacia nossas sedes existenciais e, repletos de Seu amor, nos tornarmos dispensadores dessa água viva para nossos irmãos sedentos desse amor de Deus.

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