Comentários das Liturgias

5º DOMINGO DA PÁSCOA

5º DOMINGO DA PÁSCOA
At 6,1-7 / Sl 32 / 1Pd 2,4-9 / Jo 14,1-12

 

5oDomingoPascoaAlgumas questões inquietam o coração da humanidade, especialmente a finitude desta vida material e a busca da própria identidade. No Evangelho de hoje, Jesus dialoga com seus discípulos sobre essas duas questões fundamentais a todo ser humano, revelando-se como o caminho que conduz à comunhão plena com a graça divina, na qual encontramos o sentido do nosso viver.


No contexto da última ceia, Jesus pede que os discípulos confiem em Seu amor e lhes garante que a existência humana tem um destino certo: a comunhão de amor com Deus. O lugar preparado para cada um de nós é a certeza de que a nossa vida tem um rumo definido. E Jesus se apresenta como Aquele que pode nos conduzir com segurança na caminhada da vida, pois é o caminho, a verdade e a vida. Ao revelar-se como caminho, Jesus mostra que, para ser Seu discípulo não basta conhecer Seus ensinamentos; antes, é preciso colocar-se ao Seu lado, caminhar com Ele, transformando Suas palavras em atitudes concretas. Assumindo Jesus como a verdade que orienta nossos passos, permanecemos fiéis ao Seu Reino de amor, justiça e paz. E é somente nesse caminhar com Jesus, na verdade que liberta e salva, que encontramos o sentido para a nossa vida.


O pedido de Felipe é a expressão do desejo interior de todo ser humano em encontrar sua identidade. Ver o Pai significa encontrar-se com a imagem do criador e nela contemplar o seu próprio ser. Jesus responde a Felipe reafirmado Sua comunhão plena como Pai, e convidando-nos a buscar essa comunhão no seguimento de Seus passos. Assim como São Pedro exorta os cristãos a encontrarem sua identidade em Cristo, também nós devemos viver como pedras vivas do edifício espiritual que tem Cristo como alicerce. Tornamo-nos pois, um sacerdócio santo, capaz de oferecer-se pela salvação do irmão; tornamo-nos o povo escolhido para proclamar as obras admiráveis que o Senhor realiza. Essa missão da Igreja, de continuar a ação misericordiosa de Jesus, podemos contemplar no livro dos Atos dos Apóstolos, quando a comunidade cristã se abriu à ação do Espírito Santo para fomentar novos ministérios e assim, sem descuidar do anúncio da Palavra, cuidar melhor dos mais necessitados, por meio do ministério diaconal.


A Igreja continua a oferecer a graça divina no momento da enfermidade física e da fraqueza espiritual com os Sacramentos de Cura. Nos momentos crucias da existência humana, quando nos deparamos com a finitude de nossa vida, com a nossa fragilidade e pequenez, Jesus Ressuscitado se faz presente de maneira concreta na graça sacramental. O sacramento da Unção dos Enfermos é a presença de Jesus que cura, alivia o sofrimento, faz-se solidário nos momentos de doença. Não se trata da extrema unção, dada somente a quem está em perigo de morte, mas é o amparo divino para quem sente fraco diante da dor. O outro sacramento de cura é a Reconciliação, por meio do qual Deus purifica nosso coração do pecado, renovando a santidade recebida no batismo. Muitos rejeitam esse sacramento pela dificuldade em admitir seus erros e, por isso, ficam privados de experimentar o amor de Deus que nos acolhe com ternura, pois Sua misericórdia é sempre maior que nossos pecados.


Caminhemos confiantes, pois sabemos que, permanecendo em Jesus, caminho, verdade e vida, temos um sentido para nossos passos e clareza de nossa identidade. E nos momentos difíceis, de fraqueza física ou espiritual, encontramos na bondade do Senhor, a graça sacramental da cura.

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