Comentários das Liturgias

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Jr 20,7-9 / Sl 62 / Rm 12,1-2 / Mt 16,21-27

 

JesusPedro afasteseO Evangelho deste domingo apresenta a continuidade do diálogo de Jesus com os discípulos sobre a Sua identidade. A resposta de Pedro, de que Jesus era o Messias, estava correta em termos teóricos, mas na prática, era diferente do plano de Deus. Pedro, influenciado pelas expectativas messiânicas da época, esperava um enviado divino com poder e força, para derrotar os inimigos do povo de Israel. Por isso, quando Jesus anuncia que trilharia o caminho da doação de si e da morte na cruz, Pedro reage querendo impedi-lo.


Jesus adverte que tal pensamento estava em sentido contrário ao projeto divino. Era um pensar determinado pela compreensão de vitória típica deste mundo, que exige a derrota e até o aniquilamento do adversário. No plano de Deus, não existe adversário a ser derrotado, pois Seu propósito é de salvar a todos, especialmente os pecadores. A cruz que Jesus assume não é derrota, mas caminho de salvação para todos, pois indica uma forma nova de viver, determinada pela doação de si, em gestos concretos de amor que geram a vida e a salvação do irmão.


Jesus, ao assumir a cruz, assume o caminho de oferecer a si mesmo em sacrifício vivo, santo e agradável, como São Paulo convida os cristãos romanos a também fazerem. Não se trata de um gesto de derrota, como pensavam Pedro e os discípulos, mas uma atitude consciente e ativa de transformação da realidade, por um caminho alternativo, fazendo o que agrada a Deus. São Paulo retrata perfeitamente esse gesto de Jesus ao convidar os cristãos a não se conformar com o mundo, mas ser instrumento de transformação a partir de si mesmo, renovando a maneira de pensar e agir.


O convite que Jesus faz aos discípulos, de renunciar a si mesmo e de assumir a cruz só pode ser aceito por quem se apaixonou por Ele e é capaz de consagrar-se inteiramente a Ele. O profeta Jeremias faz seu testemunho de quem se deixou seduzir pelo Senhor e, mesmo enfrentando zombarias e até perseguição no exercício de sua missão profética, não consegue deixar de profetizar, pois o Senhor age em seu interior, como um fogo ardente, que não o deixa desanimar ou abandonar a missão. O verbo seduzir, usado por Jeremias, indica uma ação divina que vai além da dimensão intelectual e racional, e toca as entranhas, o coração. É uma dimensão existencial, de quem se entrega totalmente, como na atitude do casal enamorado, que se compromete com o outro, numa atitude de fidelidade completa.


Isso mostra-nos que não podemos ser fiéis discípulos de Jesus, se não nos deixarmos envolver pelo Senhor, de modo que a nossa existência seja transformada. Ninguém é capaz de assumir a cruz com Jesus, se não tiver se entregado inteiramente a Ele, sem reservas e numa confiança total de que Seu caminho é de vida e de salvação, mesmo que passe por dificuldades e renúncias. O discípulo que busca salvar sua vida é aquele que aceita Jesus, mas não é capaz dessa entrega total. Até molha os pés nas águas do mar, mas não tem coragem de mergulhar inteiramente. Oferece parte de seu coração, mas não confia plenamente a ponto de oferecer-se por inteiro. Assim, para ser e formar discípulos de Jesus não basta concordar com sua Palavra, é preciso deixa-se seduzir por Ele, sendo capaz de uma entrega total, que não teme a cruz, pois confia em Seu amor que faz acontecer a ressurreição.

Liturgias Anteriores

Previous Next
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8