Comentários das Liturgias

3º DOMINGO DO ADVENTO

3º DOMINGO DO ADVENTO
Is 61,1-2a.10-11 / Lc 1,46ss / 1Ts 5,16-24 / Jo 1,6-8.19-28

 

3oDomingoAdvento AnoBNa espiritualidade do Advento, este é o domingo da alegria. De modo geral, o período natalino espalha em todos os ambientes e corações um contagiante sentimento de alegria: enfeitam-se as casas, trocam-se presentes, as pessoas se reúnem em confraternizações. Entretanto, é preciso discernir sobre o significado de todos esses eventos para não nos deixarmos confundir e esquecer o verdadeiro sentido da alegria que o Natal nos proporciona.


Em nossa sociedade materialista difunde-se a compreensão de que a alegria depende da posse de bens materiais, numa relação proporcional de maior alegria tanto quanto mais caro for o presente. Já a Palavra de Deus nos mostra que a alegria é fruto da ação divina de libertação que transforma as trevas em luz. Enquanto o esquema consumista predominante exclui milhões de pessoas, que se sentem inferiorizadas por sua pobreza material e experimentam as trevas da marginalização, o projeto de Deus é de libertação de todas as formas de opressão, fazendo resplandecer a luz da justiça e da paz, que gera a verdadeira felicidade.


Esse projeto divino de libertação já contemplamos no anúncio feito por Isaías, no período do pós-exílio, quando o povo, embora tivesse voltado para a terra, ainda necessitava de libertação. Os humildes que ansiavam por uma boa-notícia, os feridos na alma, os cativos, os aprisionados são os que viviam nas trevas, aguardando a manifestação da luz divina. Diante dessa realidade, o profeta assume a missão de anunciar a ação de Deus que fará germinar a justiça, e testemunha a sua alegria em ser um servo do Senhor, que foi revestido com a salvação, envolvido com o manto da justiça.


Essa mesma humildade e plena realização humana em estar a serviço do projeto divino contemplamos em Maria. Em seu cântico, o Magnificat, proclama sua alegria no Senhor, que olhou para sua pequenez e a chamou para uma missão sublime: trazer ao mundo a luz divina, Jesus Cristo.


Um profeta que humildemente se coloca a serviço do Senhor, com a missão de dar testemunho da luz, também contemplamos em João Batista. A coerência entre sua pregação e sua maneira de viver levava muitas pessoas a acreditarem que ele era o Messias. Mas João, com humildade, reconheceu-se servo do Senhor, afirmando não ser digno de derramar Suas sandálias. João Batista assume com alegria e simplicidade a missão de dar testemunho da luz divina, Jesus Cristo, que deve resplandecer no meio do mundo dissipando todas as trevas que oprimem a humanidade.


Alegrar-se no Senhor também é a exortação que São Paulo faz aos cristãos de Tessalônica. E o fundamento dessa alegria não está nas coisas que passam, nas na certeza de que Deus, que os chamou é fiel e concederá a graça da santificação. Rezando e agradecendo sem cessar, devem permanecer atentos a voz do Espírito Santo e assim afastar-se de toda maldade, conservando-se sem mancha para a vinda do Senhor.


Esse deve ser o propósito de todos nós hoje. Vivendo em uma sociedade materialista e consumista, que condiciona a alegria à posse de bens supérfluos, devemos repensar a fonte e o sentido da nossa alegria. A alegria de Deus é a alegria da libertação, de quem supera as trevas e caminha em direção à luz. É a alegria de colocar-se com humildade a serviço desse projeto de libertação, dando testemunho da luz e, desse modo, ajudar os irmãos que ainda não encontraram a verdadeira alegria a deixarem-se iluminar pelo amor e pela graça de Deus.

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