Comentários das Liturgias

SOLENIDADE DO NATAL

SOLENIDADE DO NATAL
Is 9,1-6 / Sl 95 / Tt 2,11-14 / Lc 2,1-14

 

nata2013A solenidade do Natal é a segunda festa mais importante do ano litúrgico, depois da Páscoa, e recebe desta o seu sentido. O menino que nasce em Belém, mais que um cândido bebê, é o Salvador da humanidade, que num gesto de profunda humildade renuncia à Sua condição divina para assumir a nossa realidade humana, e que vence as trevas do pecado em Sua morte e ressurreição. Estamos diante do mistério da encarnação: Deus que desce ao encontro da humanidade, para fazê-la subir em Sua vitória. Nesta festa celebramos o gesto de profunda benevolência de Deus, que não fica isolado em Sua majestade e nem indiferente à história humana, mas enche-se de compaixão e desce ao encontro de Seus filhos para conceder a todos o dom da paz.


Em Seu propósito de permanecer próximo de todos, inclusive dos mais pequeninos, o Senhor nasceu num lugar simples e pobre, na periferia de Jerusalém, e recebeu a visita dos pastores, os mais humildes e pobres habitantes de Belém. Isso revela o amor de Deus para com todos, a começar dos mais necessitados. Em nosso mundo onde o dinheiro divide e exclui as pessoas, nosso Deus se revela na pobreza, para não excluir ninguém. Se tivesse nascido em Jerusalém, a capital, entre os mais ricos e importantes da sociedade, ficaria distante dos pequeninos. Fazendo-se pequeno e simples, acolhe a todos em Seu amor. Diante da simplicidade da manjedoura, nenhum ser humano se sente abandonado por Deus.

 

O Natal é a festa da luz, que antecipa o clarão vitorioso da ressurreição, pois o Senhor vem para nos libertar de todo projeto humano que gera as trevas do sofrimento e da morte. Ao povo que andava na escuridão, envolvido pelas trevas da morte, o profeta Isaías anuncia o nascimento de um menino que vem para instaurar um novo tempo, no qual todos os sinais de morte serão destruídos: a canga que oprimia o povo, a bota do soldado que pisava forte e espalhava a guerra, a roupa manchada de sangue. Em seu lugar se manifestará a santidade e a justiça, concretizando a paz sem limites, dom gratuito do amor zeloso do Senhor.

 

Envolvidos por essa luz divina que irrompe dos céus e ilumina toda a humanidade, trazendo a salvação para todos os homens, somos convidados a abandonar as paixões mundanas e viver com equilíbrio, justiça e piedade, como ensina São Paulo em sua Carta a Tito. Diante de tantos exageros típicos deste período de festas, devemos buscar o equilíbrio, para não reduzirmos o Natal ao materialismo das comidas e bebidas. Diante das trevas da maldade presente em nosso mundo, não podemos ficar descrentes do poder do amor e, confiando na justiça divina, devemos assumir a missão de espalhar a luz da fraternidade em gestos concretos. Diante de tanto consumismo deste período natalino, devemos conservar a verdadeira piedade, que nos faz contemplar a ternura divina na sobriedade da manjedoura, deixando reacender o amor de Deus em nossa vida.

 

Celebrar o Natal é reafirmar a certeza de que o amor é capaz de vencer toda forma de maldade, de que a luz da justiça é sempre superior às trevas do pecado. Olhando para Jesus Menino, em sua fragilidade e pobreza, reconhecemos que o poder de Deus se manifesta de modo diferente que o poder do mundo. O Natal, pois, nos ensina que na singeleza e simplicidade de coração, somos capazes de fazer brilhar a luz e a paz.

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