Comentários das Liturgias

SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR

SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
Is 60,1-6 / Sl 71 / Ef 3,2-3a.5-6 / Mt 2,1-12

 

epifaniaCom a solenidade da Epifania, celebramos a bondade de Deus que oferece a graça de Seu amor a toda humanidade, realizando Seu projeto de universalizar a salvação. Os magos, guiados pela estrela representam todos os povos que buscam o Senhor, e ao encontrá-Lo, professam sua fé e oferecem o que tem de mais precioso.


Vivemos na era da globalização, que une o mundo numa rede de comunicação, na chamada sociedade da informação. Entretanto, sabemos que o acesso à informação não é plenamente universal e ainda existem muitas barreiras que separam os povos. Também no interior das religiões ressurge o espírito exclusivista e excludente, e igualmente se percebe muitas pessoas desorientadas diante das mais elementares situações da existência humana, abaladas por perdas, frustrações, decepções. Frente a essa realidade é necessário retomar o plano de Deus, que deseja oferecer, sem exclusões, a graça de Seu amor, para que todas as pessoas encontrem o sentido pleno de sua existência e possam caminhar sob a luz de Sua Palavra.


Já o profeta Isaías anunciava ao povo a missão de ser luz para todos os povos, acolhendo a quem desejasse encontrar o Senhor. Em meio ao nacionalismo exclusivista que predominava no período do pós-exílio, Isaías mostra que o plano de Deus não é de criar barreiras entre os povos, mas de acolher a todos em Seu amor. Da mesma forma São Paulo exorta os cristãos a não se considerarem proprietários exclusivos do amor divino, afirmando que Deus concede a todos os povos, judeus e gentios, a graça da salvação.
É nesse sentido de universalidade da salvação que compreendemos a visita dos magos do Oriente ao Menino Jesus. A imagem da criança sendo adorada por estrangeiros revela a vontade divina de acolher, com ternura e sem discriminação, toda e qualquer pessoa que O procura de coração sincero. Diferentemente da nossa sociedade atual e até mesmo de algumas religiões, Deus permanece acessível e acolhedor a todos que O buscam.


A caminhada dos magos, guiados pela estrela, nos lembra o anseio de todo ser humano de encontrar o Senhor. A estrela representa a necessidade interior, que o próprio Deus plantou em cada um de nós, ao nos criar em Seu amor, para que O buscássemos sem cessar. Essa necessidade guia nossos passos, na procura do verdadeiro sentido para nossa existência.


Os magos não encontram o Rei dos Judeus em meio ao luxo de Jerusalém. Foi preciso curvar-se à simplicidade de Belém para encontrar o Menino Deus. Com isso Deus nos ensina que não O encontramos nas construções grandiosas do mundo, sejam materiais, culturais ou sociais, pois as grandes construções humanas normalmente são edificadas sob o alicerce da opressão e da injustiça. Deus se manifesta na pequenez de Belém para nos mostrar que o encontraremos nas singelas realidades da vida, edificadas na simplicidade do amor e da ternura.


O sonho de Deus, de universalizar a salvação, ainda encontra obstáculos, mesmo na era da globalização na qual vivemos. Faz-se necessário romper todas as barreiras econômicas, políticas, culturais e religiosas que continuam gerando exclusivismos e exclusões. É preciso reafirmar o significado da festa da Epifania: Deus continua a oferecer-se, na pequenez e simplicidade dos gestos de amor, permanecendo acessível a todos que O procuram de coração sincero. Cabe a nós exercer o papel de administradores e não de proprietários dessa graça, refletindo a luz divina que atrai a Si todos os Seus filhos, orientando seus passos e conduzindo-os pelas estradas da vida.

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