Comentários das Liturgias

3º DOMINGO DA QUARESMA

3º DOMINGO DA QUARESMA
Ex 20,1-3.7-8.2-17 / Sl 18 / 1Cor 1,22-25 / Jo 2,13-25

 

jesusExpulsaComerciantesTemploO convite à conversão que o tempo quaresmal nos apresenta não pode ficar restrito à nossa vida pessoal, mas deve abranger também a nossa vida em sociedade, pois vivemos nossa fé no meio do mundo. O critério fundamental que deve orientar nossa convivência social é a defesa da dignidade humana, a qual depende da promoção da justiça social e da busca do bem comum.


É nessa perspectiva que entendemos o gesto de Jesu,s de expulsar os vendilhões do Templo de Jerusalém. Este episódio, narrado pelos quatro evangelistas, adquire um sentido específico no Evangelho de São João. Além de ser a condenação da corrupção que havia deturpado a missão do Templo, é também o anúncio da ressurreição de Jesus.


Num primeiro momento, a atitude de Jesus em expulsar os vendedores e cambistas revela a importância das coisas de Deus, que não podem ser manipuladas, principalmente por interesses materiais. Jesus condena, pois, o comércio do sagrado, que havia corrompido o relacionamento com Deus. Entretanto, o Templo, mais que um lugar sagrado, era o centro político e econômico da época. Com isso, Jesus condena toda forma de exploração do ser humano, que não pode ser submetido aos interesses de acúmulo de riqueza e de poder. Infelizmente em nossa sociedade atual, determinada pela lógica do mercado, os valores fundamentais como dignidade humana, justiça social e bem comum são corrompidos em vista dos interesses de pessoas ou de grupos, que colocam a posse de bens materiais e o desejo de poder e prestígio acima de tudo e de todos.


Nesse sentido deve ser entendido o texto de Ex 20, que apresenta o Decálogo, as palavras de Deus, também conhecido como os dez mandamentos. O Decálogo é um resumo de toda a Aliança que Deus fez com o povo no Sinai, depois de libertá-lo do Egito. Seu objetivo é fundamentar uma nova estrutura social a ser edificada na Terra Prometida, alicerçada na lógica do amor a Deus e ao próximo. Segundo o Decálogo, o povo devia colocar Deus como princípio e sentido de todas as coisas, e o respeito à dignidade humana como critério da convivência social, superando a lógica da dominação que predominava no Egito.


São Paulo confirma que a lógica de Deus é diferente da lógica humana. Criticando os judeus que buscavam milagres e os gregos que entendiam a religião como busca de sabedoria, São Paulo mostra que ser cristão é assumir a lógica da cruz, na vivência plena do amor. Por isso, a entrega de Jesus na cruz, considerada insensatez e fraqueza pelo mundo, é sinal de sabedoria e força de Deus, manifestada na ressurreição.


São João acrescenta ao episódio do Templo, o anúncio da ressurreição. O novo templo, que Jesus promete erguer em três dias, é o seu corpo glorioso, que se ergue vitorioso sobre a morte. Ao anunciar sua ressurreição, Jesus revela a dignidade de todo ser humano, pois seu destino já está garantido: a plenitude da vida, na força da ressurreição.
Somos convocados, pois, a respeitar os lugares e realidades consagradas ao Senhor, e também respeitar a dignidade de cada ser humano, que também é templo de Deus, já que fora criado à imagem e semelhança do Senhor. Assim, devemos nos empenhar para que toda lei humana, toda lógica de organização social e cultural, contribua para que o ser humano, verdadeiro templo de Deus, tenha sua dignidade respeitada, a partir da implantação da justiça social e da busca do bem comum.

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