Comentários das Liturgias

DOMINGO DE RAMOS

DOMINGO DE RAMOS
Mc 11,1-10 / Is 50,4-7 / Sl 21 / Fl 2,6-11 / Mc 15,1-39

 

Domingo de RamosNa liturgia do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, com a qual iniciamos a Semana Santa, celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém. Sua entrada na Cidade Santa, que também era o centro político e econômico da época, revela de forma plena a Sua identidade e é o ápice de sua missão.


Ao entrar na cidade montado num jumento e não num imponente cavalo ou carro de guerra, Jesus manifesta ser o Messias que veio para servir e não ser servido, sendo coerente com Seu projeto de fazer-se servo ao lado dos menores e excluídos, rejeitando a lógica dos reinos deste mundo, de ser um dominador que usa a força para atingir seus objetivos. É o que afirma São Paulo, ao ensinar que Jesus viveu a humildade de forma radical ao se fazer gente como nós, não se apegando à Sua condição divina, e ao aceitar a morte na cruz na fidelidade à Sua missão.


Jesus entra em Jerusalém para cumprir plenamente a missão que recebera do Pai, mas não como se estivesse seguindo um roteiro, no qual devia morrer na cruz. Foi o confronto do projeto de Jesus com o projeto do poderosos da época que causou Sua morte. Jesus, que anunciara o Reino de Deus aos pequenos e pobres da Galileia e dos arredores de Jerusalém, devia também anunciá-lo naquele centro de poder e de dominação. Jesus não foge de sua missão, não foge de Jerusalém. Cumpre assim a profecia de Isaías de ser o servo do Senhor que enfrenta os piores sofrimentos, mas que não abandona a fidelidade à vontade divina. Tais palavras de Isaías somente foram cumpridas plenamente por Jesus, na opção que fez de enfrentar o poder da época, entrando em Jerusalém para anunciar seu projeto de amor, justiça e de paz.


Como Jesus, também devemos entrar na Jerusalém de nossa existência, nos ambientes em que vivemos em nosso cotidiano e que muitas vezes são hostis ao projeto do Reino de Deus. Nessas realidades precisamos testemunhar corajosamente os valores ensinados por Jesus. Mas, para entrar na Jerusalém da nossa existência, é preciso que desçamos do carro de guerra de nossa arrogância e aceitemos o caminho da humildade. É preciso que rejeitemos a lógica do poder e da dominação, que gera a violência e a morte de muitos, e assumamos a lógica de Jesus, da humildade, do serviço e da doação de si em prol da vida dos irmãos.


A necessidade dessa escolha radical por Jesus nos é apresentada na narrativa da Paixão segundo São Marcos. Diante da morte de Jesus na cruz, muitos revelam o que pensam sobre Ele: o povo o insulta e os chefes o ridicularizam, pedindo um sinal de Sua divindade, os discípulos fogem por medo da cruz. Somente o oficial do exército romano o reconhece como Filho de Deus; um pagão, que não pertencia ao povo de Deus, olha para Jesus morto na cruz e O reconhece como o Salvador.


Também nós hoje somos convocados a olhar para Jesus, Servo humilde, que ofereceu Sua vida na cruz e reconhecer nEle o Senhor de nossa vida. Diante do mundo, Jesus foi um derrotado, mas, segundo São Paulo, Ele foi exaltado por Deus e recebeu um nome acima de todo nome. Nós precisamos vencer a tentação de buscar a glória deste mundo por meio da dominação e da corrupção, permanecendo fiéis ao projeto de Jesus, pois somente assim seremos exaltados por Deus.

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