Comentários das Liturgias

ASCENSÃO DO SENHOR

ASCENSÃO DO SENHOR
At 1,1-11 / Sl 46 / Ef 1,17-23 / Mc 16,15-20

 

ascensaoJesusA liturgia da Solenidade da Ascensão do Senhor nos convida a celebrar o que proclamamos em nossa profissão de fé: Jesus Ressuscitado, depois de se manifestar aos discípulos, subiu aos céus e sentou-se a direita de Deus. Isso significa que, cumprida sua missão salvífica, Jesus Cristo reassume sua condição divina; condição essa que havia renunciado ao assumir a nossa realidade humana, no mistério da encarnação.


Nesse movimento de descer até nós para nos salvar e de voltar à comunhão trinitária, Jesus inaugura o Reino de Deus, o qual é confiado a Igreja, que recebe a missão de levar a toda humanidade essa boa notícia da salvação. Tanto o livro dos Atos dos Apóstolos quanto o Evangelho de Marcos relatam que Jesus confia aos discípulos, à Igreja nascente, a missão de anunciar o Evangelho, a Boa Nova do Reino de Deus. Da mesma forma, São Paulo em sua carta aos Efésios ensina que Jesus, na glória da Trindade, é a cabeça da Igreja, que é seu corpo. Enquanto Igreja, Corpo Místico que continua a missão de construir o Reino, nós estamos unidos a Cristo, que nos acompanha e protege. Este é o sentido dos sinais que o Evangelho segundo Marcos retrata: expulsar demônios, falar novas línguas, pegar em serpentes ou beber veneno, curar doentes, significa que a Igreja, em sua missão de edificar o Reino de Deus, está sob a guarda de Jesus, que confirma seu ensinamento.


Mas, hoje, em meio a tantas pregações em nome de Jesus, devemos nos perguntar: o que devemos anunciar, enquanto Igreja? Sob a luz do Espírito Santo, devemos discernir sobre as diferentes teologias que orientam a pregação de tantas Igrejas cristãs.


Uma corrente muito presente hoje é a Teologia da Prosperidade, a qual ensina que, sendo fiel a Deus na oração e no dízimo, o cristão tem o direito de exigir de Deus a prosperidade material. A riqueza é, assim, compreendida como bênção de Deus, e a pobreza, um sinal de que a pessoa não está sendo fiel a Deus. Nessa teologia, não se fala em partilha, simplicidade, ou em uma vida sóbria. Semelhante a essa reflexão, há também a Teologia do Bem Estar, que prega a fé em Jesus Cristo como um alívio para os problemas afetivos e emocionais. A busca por Jesus Cristo é reduzida a sentir-se bem, sem nenhum compromisso com a vivência do amor. Não há espaço para a renúncia ou o sacrifício em favor do irmão. Ambas as teologias destacam três aspectos como sendo sinais da bênção de Deus: riqueza material, saúde física e mental e realização afetiva. Junto a essas teologias, há a Teologia do Medo, que prega a necessidade de permanecer em determinado grupo religioso, para não perder a bênção de Deus. Enquanto Jesus libertava as pessoas, essa teologia aprisiona, escraviza em nome de Deus.


A pregação que deseja ser fiel aos ensinamentos de Jesus deve seguir a Teologia da Vida Plena, que realiza o Reino de Deus em favor de cada pessoa, cumprindo assim o projeto de Jesus: Eu vim para que todos tenham vida e tenham vida em abundância. Devemos viver como Igreja, Corpo de Cristo, motivados pela busca de vida plena, não somente para nós, de forma egoísta, mas para todas as pessoas e para a criação. A inspiração para o anúncio do Evangelho não pode ser a Teologia da Prosperidade, nem a do Bem Estar, nem a do Medo, mas a Teologia da Vida Plena.

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