Comentários das Liturgias

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Sb 2,12.17-20 / Sl 53 / Tg 3,16 - 4,3 / Mc 9,30-37

 

jesusPregandoO Evangelho deste domingo nos apresenta o segundo anúncio que Jesus faz aos discípulos, da entrega de sua vida na cruz e da sua ressurreição. A reação dos discípulos é de incompreensão e de silêncio. As palavras de Jesus são claras, mas os discípulos têm dificuldade em assimilar esse anúncio, por causa da expectativa que tinham do Messias, enquanto redentor de Israel, que destruiria todos os opressores. E, principalmente, não conseguem aceitar que alguém como Jesus, com tantas possibilidades de ser grande e forte diante do mundo, tenha escolhido trilhar o caminho da humildade total e da doação de vida.


Isso revela a distinção entre a sabedoria de Deus e a mentalidade do mundo. São Tiago nos mostra que a sabedoria de Deus gera a paz, enquanto que a lógica do mundo, movida pelas paixões, gera brigas e guerras. Isso nos ajuda a entender a atitude dos discípulos, que não conseguiram acolher a proposta de Jesus porque seus corações estavam dominados pela proposta do mundo, pela paixão da cobiça, pelo desejo de grandeza. Por isso, mesmo diante do anúncio explícito da paixão, eles estavam discutindo para decidir quem entre eles era o maior. Tal desejo de grandeza era um obstáculo para que eles assimilassem a proposta de Jesus e gerava disputas entre eles.


Nesse sentido, o livro da Sabedoria faz uma distinção entre a atitude do ímpio e a atitude do justo, mostrando que são modos diferentes de viver, motivados por duas lógicas distintas. A lógica do mundo motiva a atitude do ímpio, de praticar o mal para obter vantagens materiais, na busca de tornar-se maiores que os outros; já a sabedoria divina, motiva a prática da justiça, de fazer o bem em todas as circunstâncias, mesmo quando ameaçado pelo mal. Ainda mais, a atitude do justo incomoda o ímpio, pois revela a maldade de suas ações.


Diante da dificuldade dos discípulos em aceitar sua proposta, Jesus a explicita ainda mais, ensinando que o maior aos olhos de Deus é aquele que serve a todos. E mostra isso acolhendo uma criança, a qual, na sociedade da época não era valorizada. O menino só era reconhecido socialmente quando fazia o bar mitzvah, tornando-se membro do povo de Deus, e a menina era dependente do pai e, depois do casamento, do marido. Acolher uma criança era, pois, acolher um sem-valor, um ser socialmente insignificante, era fazer-se pequeno com os pequenos.


Nisso reside a sabedoria de Deus: quando mais queremos nos elevar, nos deixando conduzir pelas paixões, mais negamos nossa realidade humana e queremos nos tornar deuses e senhores de nós mesmos, dos outros e do mundo. Com isso provocamos as brigas, as guerras, a destruição, seja material, seja afetivo-espiritual. E ainda mais, dominados pelas paixões de grandeza e domínio fazemos os outros pequenos. Existem muitas pessoas que são diminuídas em nossa sociedade, consideradas sobras, resíduos pela racionalidade capitalista que prioriza a produtividade, o consumo e o lucro.


Há, pois, uma diferença crucial e clara entre ser apequenado e fazer-se pequeno. Deus não quer que sejamos diminuídos por nada nem por ninguém, pois diante de Seu amor temos uma dignidade inalienável. Fazer-se pequeno é assumir com humildade a condição de colaborador de Deus em seu projeto de amor para toda a humanidade. Deus quer que nos façamos pequenos, capazes de nos colocar ao lado daqueles que o mundo apequena, para que possamos em comunhão, alcançar uma realidade onde todos sejam respeitados em sua dignidade.

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