Comentários das Liturgias

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Sb 7,7-11 / Sl 89 / Hb 4,12-13 / Mc 10,17-30

 

jesus criancaA Palavra de Deus deste domingo nos convida a meditar sobre o queremos alcançar em nossa vida e sobre o que orienta as escolhas que fazemos. O Evangelho nos apresenta a inquietude daquele homem que se coloca aos pés de Jesus desejando saber o que deve fazer para ganhar a vida eterna. Esse anseio pela vida que não tem fim não significa somente a vida depois da morte, na eternidade de Deus. A nossa comunhão eterna com Deus é o resultado do caminho que trilhamos desde agora, em cada instante desta vida. Entrar na vida eterna é um processo que começa hoje, nas escolhas e decisões que tomamos em cada situação da nossa história. Um caminho trilhado de maneira errada vai gradativamente nos levando para longe de Deus, até nos afastar dEle para sempre.


Por isso a primeira resposta de Jesus é o convite para observar os mandamentos, acolhendo-os como palavra amorosa de Deus, que orienta a construção da nossa história. Inicialmente, Jesus cita os sete mandamentos que se referem ao relacionamento com o próximo. E diante da resposta de que os observara desde a juventude, Jesus questiona sobre a observância do primeiro e mais importante dos mandamentos, do qual resultam todos os outros: amar a Deus sobre todas as coisas. Mas o faz de maneira indireta, convidando aquele homem a desapegar-se de todos os seus bens. A resposta foi um silencioso não à proposta de Jesus, revelando que seu amor maior não era destinado a Deus, mas aos bens que havia conquistado durante sua vida.


Jesus não questiona a forma como aquele homem obteve os bens, que poderia ter sido honestamente, mas a maneira como se relacionava com eles. Não era dono, mas escravo de seus bens materiais. Por isso, quando Jesus propõe que ele se desapegue deles, doando-os aos pobres, o homem se assusta e vai embora, porque era muito rico. Foi um momento de escolha, de decisão: ele optou por viver unido aos seus bens, perecíveis e limitados, deixando de amar a Deus, que é eterno. Seu apego aos bens materiais levou-o a rejeitar a vida eterna que tanto desejava.


Em nossa sociedade atual, profundamente materialista, somos incentivados a alicerçar nossa história no acúmulo de bens materiais. Se colocarmos os bens que possuímos acima de tudo em nossa vida, então deixaremos Deus em segundo lugar. E quem se apega aos bens que passam, desaparece com seus bens. Mas quem coloca Deus em primeiro lugar e é capaz de tudo largar por causa do Seu Reino, a ele nada faltará neste mundo, mesmo em meio à perseguições, e receberá a vida eterna, como garantiu Jesus a Pedro. Quem se apega a Deus permanece unido a Ele hoje e por toda a eternidade.


É essa sabedoria que precisamos buscar para conduzir nossa vida, para orientar as nossas decisões. O livro da Sabedoria nos mostra que a sabedoria dada por Deus é mais importante que o poder, a riqueza, a saúde e a beleza, bens considerados como sendo absolutos em nossa cultura atual, mas que na realidade são relativos e passageiros. É na Palavra divina, viva e cortante, que penetra o nosso interior e revela o que temos de mais íntimo, que encontramos a sabedoria para orientar nossa vida. Como nos ensina a Carta aos Hebreus, é esta Palavra que deve orientar a edificação da nossa história, pois será ela quem julgará aquilo que construímos, quando mergulharmos na eternidade de Deus.

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