Comentários das Liturgias

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dn 12,1-3 / Sl 14 / Hb 10,11-14.18 / Mc 13,24-32

 

jesusLuzAo final do ano litúrgico, a Palavra de Deus nos convida a contemplar nossa história pessoal e social com os olhos da fé, reconhecendo que Deus é o Senhor do nosso tempo e da eternidade. Não caminhamos ao acaso. Ao contrário, cremos que a nossa história é conduzida por Deus. E, diante de tantas situações de sofrimento e de injustiça que existem em nosso mundo, somos chamados a renovar a nossa certeza de que a força do amor de Deus é mais forte que o poder do mal.


O profeta Daniel anuncia essa ação divina que conduz a história, aos judeus que estavam sendo perseguidos e mortos porque se recusavam a abandonar a fé em Javé. Os dominadores selêucidas, no séc II aC., impunham o culto aos deuses estrangeiros, e aqueles que não aceitavam adorar tais ídolos eram mortos. Daniel anuncia que a ação de Deus fomentará, simultaneamente, um tempo de angústia e de salvação. Angústia para os que estão a serviço da injustiça, oprimindo o povo. Mas, os que permanecem fiéis ao Senhor no caminho da sabedoria e ensinando a virtude aos irmãos, brilharão como luz para sempre.


Jesus, no chamado "discurso escatológico", anuncia aos discípulos essa ação libertadora de Deus, que vem para reunir seus eleitos. Os sinais anunciados por Jesus revelam a transitoriedade da realidade material, pois afirma que as forças do céu serão abaladas. Para evitar interpretações fatalistas de tais palavras, devemos lembrar que na cultura daquela época, os astros celestes eram adorados como deuses. Afirmar a transitoriedade das forças celestes é professar a fé no verdadeiro Deus, reconhecendo que os elementos da natureza são criaturas e não podem receber a mesma dignidade do Criador. E ainda mais, se as forças celestes serão abaladas, também serão destruídas as forças políticas e econômicas deste mundo que provocam o sofrimento aos filhos de Deus, e que, são apresentadas como eternas e superiores ao poder divino.


Jesus anuncia, pois, a vitória de Deus e do amor sobre todas as forças do mal, causadoras da dor e da morte. Como nos ensina a Carta aos Hebreus, Jesus, o sumo e eterno sacerdote está sentado a direita de Deus, participando da glória divina, e colocará seus inimigos debaixo de seus pés, ou seja, será definitivamente vitorioso sobre o pecado e a morte. E também nos orienta a não alicerçar nossa história nas realidades materiais, por mais estáveis, duradouras e fortes que pareçam. É o cuidado que devemos ter para que não edificarmos nossa vida idolatrando as realidades transitórias deste mundo. Tudo passa, somente Deus e sua Palavra são eternos.


Ao afirmar que ninguém sabe o dia e a hora em que a glória divina se manifestará, Jesus adverte sobre a esperteza daqueles que querem lucrar com o desespero do povo, anunciando a chegada do fim dos tempos. A incerteza sobre o dia e a hora é um convite para o discernimento constante, aprendendo a reconhecer os sinais dos tempos, da mesma forma como são interpretados os sinais da natureza. É preciso reconhecer que Deus já está agindo no meio de nós, conduzindo a nossa história e convidando a nos irmanar na luta contínua contra o mal ainda presente no mundo, o qual provoca a morte de tantos inocentes. A nós, cabe o discernimento para nos deixarmos guiar somente pela Palavra Divina, permanecendo na justiça divina, para que um dia, quando todas as coisas transitórias passarem, brilharmos no amor, por toda a eternidade.

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