Comentários das Liturgias

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO
Dn 7,13-14 / Sl 92 / Ap 1,5-8 / Jo 18,33b-37

 

solenidadeJesusReiUniversoA celebração de Cristo Rei não é somente o encerramento do ano litúrgico, mas a celebração, na esperança, do ponto de chegada da nossa história pessoal e social. Olhamos para o futuro e vislumbramos o ápice de nossa existência: a vitória de Cristo, e com Ele, a vitória da justiça, do amor e da paz. Deus nos dá a certeza de que, apesar da força e do poder dos reinos deste mundo que oprimem e matam, nenhum perdurará eternamente. Somente o Reino de Deus é eterno e nele serão acolhidos todos os que aceitam a justiça e o amor.


É esta certeza que o profeta Daniel anuncia ao povo oprimido por Antíoco IV Epífanes, rei selêucida, que forçava os judeus a abandonarem a fé em Deus e adorar os ídolos pagãos. Com sua visão sobre as quatro feras, Daniel revela a fragilidade e transitoriedade dos reinos deste mundo, apesar de seu terrível poder dominador. Em seguida, apresenta uma visão de esperança, na chegada do reino do Filho do Homem, um reino eterno envolvendo todos os povos e nações.


Esse reinado de Deus é proclamado no livro do Apocalipse, não mais como esperança, mas como uma realidade já manifestada na vitória de Jesus sobre a morte, em Sua ressurreição. Os versículos iniciais do Apocalipse apresentam Jesus ressuscitado como o Senhor da história, o alfa e o ômega, o princípio e o fim, cujo reino predomina em toda a terra e é um reino eterno.


É justamente sobre o seu reino que Jesus dialoga com Pilatos, na narrativa de São João. Estão frente a frente dois projetos sociais, duas maneiras de conduzir a história. De um lado, Pilatos, representante do Império Romano, o qual estava alicerçado na violência, na dominação e no acúmulo de riquezas. Um reino poderoso e aparentemente indestrutível. Do outro lado Jesus, sem exércitos ou armas, propagando a justiça, o amor e a paz.


Jesus afirma que Seu reino é construído na verdade que liberta e gera a vida. Pilatos desconhece essa verdade. São reinos distintos, construídos sobre concepções distintas de verdade. A verdade do reino de Pilatos é determinada pelo poder, exigindo submissão total. É a verdade imposta pela violência, que obriga os mais fracos a aceitá-la passivamente. A verdade no Reino de Cristo é determinada pelo amor e pela vida. Verdadeiro para Deus é o que promove a vida e a libertação de todo mal.


A resposta de Jesus, de que Seu Reino não é deste mundo, não indica uma dicotomia entre o céu e a terra, na qual o Reino de Jesus seria exclusivamente reservado ao céu. Antes, indica uma dicotomia entre a forma de organização social predominante na época e a proposta de Jesus. O Reino de Jesus já se manifesta entre nós, não edificado sobre estruturas sociais de opressão, como os reinos humanos, mas sobre a prática da justiça, em gestos de solidariedade.


Somos convocados, pelo nosso Batismo, a sermos instrumentos do Reino de Jesus. Cabe a nós, o discernimento sobre que tipo de verdade orienta a nossa vida, para percebermos a que Reino estamos servindo. Devemos rejeitar a concepção de verdade imposta pela força e pela violência, e orientar nossa vida pela verdade de Cristo, fruto do amor, pautada na justiça, e que promove o bem comum e a paz. Assim, estaremos colaborando na edificação do Seu Reino e participando da Sua vitória, a qual já acontece onde a vida é plena para todos.

Liturgias Anteriores

Previous Next
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 6
  • 7
  • 8