Comentários das Liturgias

2º DOMINGO DO ADVENTO

2º DOMINGO DO ADVENTO
Br 33,14-16 / Sl 24 / 1Ts 3,12 -4,2 / Lc 3,1-6

 

joaoBatistaA espiritualidade deste 2º Domingo do tempo do Advento nos recorda que Jesus, o qual veio a primeira vez, nascido da Virgem Maria, e que virá em sua glória, vem continuamente ao nosso encontro, manifestando a graça da salvação em nossa vida pessoal e em nossa história. Somos pois, convidados a preparar o caminho do Senhor, superando todo obstáculo que nos impede de reconhecer a presença daquele que vem nos conceder a libertação.


O convite para essa atitude de sincera conversão nos é dado por João Batista, profeta escolhido por Deus para preparar o caminho do Senhor. Antes de apresentar a atividade profética do precursor, São Lucas nomeia sete personagens históricos da época, mostrando que Deus se faz presente e atua de forma plena na realidade humana. O Senhor não ignora e nem fica distante de Seu povo, mas torna-se presente na história, desejando ser acolhido livremente e no amor, por cada pessoa.


O Senhor sempre atuou na história de Seu povo, caminhando ao seu lado, de modo especial nos momentos mais difíceis. É assim que o profeta Baruc anuncia a ação de Deus, retirando de Seu povo as vestes de luto e revestindo-o com o manto da justiça. Este texto, do final do sec. II aC, é um convite ao povo que estava disperso a voltar-se para Jerusalém, símbolo da presença e do amor de Deus no meio do mundo. O Senhor quer atrair todos os seus filhos para junto de Si, libertando-os de todo mal e fazendo-os participar de Sua glória. Por isso convoca o povo a aplainar e endireitar as estradas, para caminhar na direção de Seu amor.


João Batista já não anuncia uma presença simbólica de Deus no meio do mundo, mas Sua presença real, no mistério da encarnação. Em Jesus Cristo, Deus vem ao encontro da humanidade, vem compartilhar nossa história. Por isso o precursor convoca o povo a aplainar as estradas, aterrando os vales, rebaixando as colinas, endireitando curvas, para que todos possam ver a salvação que vem de Deus. Temos a certeza de que Deus está no meio de nós e, se não conseguimos contemplar essa presença divina em nossa vida, em nossa família, em nossa sociedade, é porque ainda existem obstáculos que impedem a plena manifestação do amor divino.


Ouvindo as palavras do profeta João Batista, esse tempo do Advento nos convoca à missão de transpor todo obstáculo que impede o encontro com o Salvador. Como nos exorta São Paulo, precisamos acolher o Senhor, que vem para levar à perfeição a boa obra que iniciou em nós. É uma caminhada contínua de conversão para crescer no amor de Deus, em obras de justiça.


Nessa caminhada de libertação, precisamos identificar e superar os obstáculos que impedem a acolhida da graça divina, pois o Senhor quer habitar nosso coração por meio de Sua Palavra e na Eucaristia. Igualmente necessitamos aplainar as estradas que nos unem aos irmãos, a começar pelos relacionamentos familiares, ampliando para a comunidade e alcançando toda a sociedade, afim de acolher o Senhor que espera ser amado em cada pessoa. E diante do egoísmo, o grande obstáculo que isola as pessoas, somos chamados a edificar a cultura do encontro, endireitando os caminhos que nos unem como irmãos.


Proclamamos no Natal que Deus está no meio de nós. Por isso, devemos fazer do Advento um tempo de libertação de tudo aquilo que impede que essa presença divina se manifeste no meio da humanidade.

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