Comentários das Liturgias

3º DOMINGO DO ADVENTO

3º DOMINGO DO ADVENTO
Sf 3,14-18a / Is 12,2-6 / Fl 4,4-7 / Lc 3,10-18

 

3oDomingoAdvento AnoBO terceiro domingo do Advento é chamado de Gaudete, que em latim significa alegria, pois traz o convite para nos alegrarmos pela proximidade do Senhor que vem. A origem desta denominação está na Antífona de Entrada, extraída da Carta aos Filipenses, em latim: "Gaudete in Domino semper; iterum dico, gaudete. Dominus enim prope est.", que significa: "Alegrai-vos no Senhor; eu repito, alegrai-vos. O Senhor está próximo." (Fl 4,4.5b). É a exortação final da carta, na qual São Paulo convida os cristãos de Filipos a permanecerem firmes no Senhor, praticando seus ensinamentos.


O mesmo convite à alegria faz o profeta Sofonias. Profetizando anos antes do exílio na Babilônia, Sofonias denuncia a corrupção dos dirigentes do país, que abandonaram o caminho do Senhor, fazendo alianças com nações estrangeiras. Aos que haviam se corrompido, anuncia o Dia do Senhor, o dia da vitória de Deus e de destruição de toda idolatria e corrupção. Sendo o dia da vitória do Senhor, é anunciado também como o dia da libertação, por isso o convite à alegria. E o motivo é bem claro: o Senhor está no meio de ti, por duas vezes proclama Sofonias. O povo é chamado a alegrar-se, reconhecendo que o Senhor está em seu meio, fazendo história com ele e desejando ser acolhido com fé genuína.


No Evangelho ouvimos a pregação do profeta João Batista, que apresenta uma proposta de conversão aos que o procuram, querendo saber o que fazer para receber a salvação. Os três grupos representam a totalidade daqueles que necessitam de mudança em sua vida. Ao povo, João indica a partilha; e devemos lembrar que o povo naquela época sofria na pobreza. Se os que quase nada tem são convidados viver a partilha, muito mais isso vale para os que têm em abundância. Aos cobradores de impostos a ordem é de que não cobrem a mais, permanecendo no caminho da honestidade. E aos soldados, exorta a que não usem de seu poder para agir com violência. Partilha, justiça e paz sintetizam as propostas que João Batista faz ao povo daquela época e também a nós hoje.


Parece que o Evangelho aponta para um caminho diferente, e até oposto ao que nos disse Sofonias e São Paulo. Enquanto estes nos convidam à alegria, João Batista apresenta um projeto de vida exigente e austero. Estas exortações parecem opostas porque estamos acostumados com uma compreensão de alegria que é sinônimo de liberdade total e inconsequente. Tudo o que propõe renúncia é visto como negação da alegria. Mas será que a verdadeira alegria é sinônimo de liberalização total e irrestrita? E será que a busca de se conservar no caminho de Deus significa ausência de alegria?


Percebemos em nosso mundo atual o que essa forma de alegria irresponsável tem provocado: miséria, corrupção e violência. Por isso a proposta de João Batista não nega a alegria, mas é o caminho da alegria verdadeira que vem de Deus. Quando superamos o desejo do consumismo e nos tornamos capazes de partilhar, mesmo sendo pouco o que temos, quando orientamos nossos projetos pela justiça de Deus vencendo toda forma de corrupção, e quando promovemos a paz com palavras e gestos, abrimos um espaço em nossa vida e em nossa história para que Deus se manifeste. E onde Deus está presente, ali resplandece a verdadeira alegria. Não a alegria de somente alguns, mantida às custas do sofrimento da maioria, mas a alegria de todos, a alegria da verdadeira comunhão.

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