Comentários das Liturgias

SOLENIDADE DO NATAL - MISSA DA NOITE

MISSA DA NOITE DO NATAL
Is 9,1-6 / Sl 95 / Tt 2,11-14 / Lc 2,1-14

 

nata2013 2A liturgia da Noite de Natal, a partir da narrativa de São Lucas, nos convida a meditar sobre a dimensão humana do Salvador, que nasce entre os pobres para manifestar sua solidariedade com toda a humanidade, sem exceção. Como exortou São Paulo, é a celebração da graça de Deus, que se manifestou trazendo a salvação para toda a humanidade, para nos resgatar da maldade e purificar nossos corações.


Contemplando a cena do presépio, percebemos que Deus entra na história humana de uma forma completamente peculiar, revelando que a lógica divina é diferente da lógica humana. A narrativa de São Lucas nos apresenta o Menino Deus nascido no lugar onde os animais passavam a noite, para se abrigarem das feras e do frio, porque não havia lugar para eles dentro da casa; foi adorado primeiramente pelos pastores, considerados impuros pelo sistema religioso da época, e que simbolizam os excluídos e marginalizados pela sociedade, mas que são amados por Deus. Deus, pois, entra na história não pela porta da frente, com pompa e circunstância, mas pela porta de serviço, na humildade dos pequenos que se abrem ao seu amor. É o início da revelação do amor divino, que Jesus tornará plena durante sua vida, ao dirigir-se aos pobres necessitados de esperança, aos doentes carentes de amparo, aos pecadores que buscavam a misericórdia de Deus.


O cântico dos anjos indica que todo o céu participa daquele momento sublime, em que Deus assume a nossa condição humana, na pequenez e na fragilidade de uma criança. Deus é glorificado por esta prova de amor tão grande, de aproximar-se candidamente, fazendo-se criatura junto às suas criaturas. E nesse gesto de amor, abre o caminho para que todas as pessoas de boa vontade possam experimentar a paz.


O anúncio do anjo aos pastores revela que o recém-nascido envolto em faixas e colocado na manjedoura é o Cristo Senhor, o Messias prometido e anunciado pelos profetas no Antigo Testamento. Um dos anúncios proféticos mais belos é de Isaías, que proclama a vinda do Messias como o fim de todas as trevas que ofuscam a vida e a paz: a opressão, a exploração, a violência, simbolizados pela bota de assalto e pela roupa manchada de sangue, deixarão de existir, porque o reino a ser instaurado será grande e nele a paz será sem fim. Numa época em que o povo sofria pelas constantes guerras e pela exploração, resultado das alianças com povos estrangeiros, o anúncio messiânico garante um novo tempo, no qual imperarão a justiça e a paz.


Isaías descreve o Messias a partir de quatro adjetivos: conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. No Salvador a humanidade encontrará a sabedoria, o amparo, a esperança e a paz. Contemplando a pequenez daquela santa criança, deitada na manjedoura, nosso coração se abre numa prece especial, invocando o amor sem limites do Salvador, para que nos conceda também essas graças especiais: sabedoria para conduzir a nossa história de acordo com a vontade de Deus; o amparo quando nossas forças humanas não forem capazes de suportar as tribulações; a esperança de que nossa vida e nossa história não são determinadas pelo destino e nem estão nas mãos da acaso, mas tem como meta segura o plano de Deus para toda a humanidade; e finalmente a paz, para apaziguar nosso coração a cada dia e também nos permitir espalhar essa paz ao nosso redor, na edificação de um mundo novo.

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