Comentários das Liturgias

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Is 62,1-5 / Sl 95 / 1Cor 12,4-11 / Jo 2,1-11

 

bodas de canaA Aliança de amor que Deus realiza com seu povo é o tema da liturgia deste domingo, iniciando a primeira parte do Tempo Comum. Desde a criação e de forma ainda mais explícita, na libertação da escravidão no Egito, Deus se revelou como Aquele que vem ao encontro do seu povo para fazer uma aliança de amor. Ele oferece gratuitamente seu amor, oferece a salvação, e o povo é convidado a acolher esse amor e essa salvação, vivendo na justiça e no direito. O profeta Isaías anuncia a bondade de Deus para com seu povo, em um momento crítico da história da salvação: o período pós-exílico. O exílio fora um momento histórico doloroso, de perda da terra e da liberdade, e a volta para casa foi também muito difícil, pois o povo encontrou tudo em ruínas: Jerusalém estava abandonada e a terra deserta, como diz Isaías. Diante da devastação, o profeta renova a esperança, ao anunciar que Deus fará brilhar a justiça e a salvação, renovando a Aliança com a qual o povo havia sido infiel. Para isso Isaías utiliza a imagem do casamento, mostrando que Deus se alegra em renovar a Aliança com seu povo, da mesma forma que o noivo se alegra ao receber sua esposa.


A mesma imagem do casamento é retomada por São João, ao narrar o episódio da transformação da água em vinho, em Caná da Galileia. O evangelista narra sete sinais que Jesus realiza, todos apontando para a Hora de Jesus, ou seja, o momento de sua glorificação, no mistério da morte e ressurreição. Cada um dos sinais indica um aspecto desse momento. O primeiro sinal, no início da missão de Jesus, revela que Jesus realizará, em sua morte e ressurreição, a Nova e Eterna Aliança. A falta de vinho na festa de casamento mostra que a primeira Aliança estava frágil, pois a fé do povo era uma fé sem vigor, reduzida aos ritos externos, principalmente os ritos de pureza, simbolizados nas seis talhas de pedra cheias de água. O vinho novo oferecido por Jesus é o caminho do encontro com Deus no amor, na justiça e na alegria. Não é uma vivência de fé marcada pela exclusão dos que eram considerados impuros, mas uma festa onde todos são convidados. A participação nesta festa do amor divino é aberta a todos, porém exige que os convidados vivam a fidelidade ao Senhor.


A Nova e Eterna Aliança realizada por Jesus em sua morte e ressurreição acolhe toda a humanidade, que é chamada a ser fiel a Deus, no caminho que o próprio Jesus trilhou: o amor que se revela como doação total. Nesse sentido, São Paulo, escrevendo aos Coríntios, mostra que nós recebemos de Deus dons especiais, que devem ser colocados a serviço do Reino de Deus, enquanto membros de seu Corpo Místico, a Igreja. As palavras de São Paulo indicam que os dons provém de Deus e não apenas de nossa condição humana e por isso devem ser oferecidos ao Senhor em serviço, em doação, para o bem comum. Igualmente, mostra que, enquanto membros do Corpo Místico de Cristo, temos a mesma dignidade, embora sejamos diferentes e tenhamos dons diversos. Esta Palavra é um convite para permanecermos fiéis à Aliança que Deus fez conosco em nosso batismo, e pela qual nos tornamos membros do Corpo Místico de Cristo, a Igreja; e, com uma fé renovada, vigorosa, colocarmos nossos dons a serviço do Reino de Deus.

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