Comentários das Liturgias

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Eclo 27,5-8 / Sl 91 / 1Cor 15,54-58 / Lc 6,39-45

arvoreBoas bonsFrutosA Palavra de Deus deste domingo nos convida a refletir sobre a coerência de nossa vida de fé, entre o que falamos e o que vivemos. Também nos admoesta a termos um coração humilde, que reconhece os próprios erros e, por isso, não acusa o irmão que erra.


O Evangelho nos apresenta a continuidade do discurso da planície, no qual Jesus orienta seus discípulos sobre os princípios que devem orientar os relacionamentos fraternos. Faz uma advertência a todos aqueles que, de alguma forma, tem a missão de serem mestres, ou seja, que são guias do irmão, destacando que é preciso coerência entre o que ensina e o que vive. Ao destacar que um cego não pode guiar outro cego, mostra que o verdadeiro mestre ensina com autoridade e não com poder e força. E essa autoridade é fundamentada na coerência de sua vida, ou seja, seus ensinamentos são confirmados por suas atitudes.


A coerência de vida exige que, antes de apontarmos o erro do irmão, devemos reconhecer nossos próprios erros. Com a metáfora do cisco e da trave, Jesus adverte sobre o perigo da hipocrisia, de quem torna público o erro do irmão, mas não toma consciência de seus próprios erros, muitas vezes bem mais graves que o do irmão. Quando temos consciência de nossos limites e fraquezas tornamo-nos humildes e, ao percebermos o erro do irmão, lembramos dos nossos, não nos sentindo em condições de condená-lo.


Mas o que leva uma pessoa a ser incoerente, ou seja, apontar o cisco no olho do irmão, não percebendo a trave que está no seu? Podemos pensar em três situações: a primeira é da pessoa que vive uma ilusão com relação a si mesma, tendo uma percepção equivocada de quem realmente é; ou seja, a pessoa considera-se perfeita, sem erros, e por isso, sente-se em condições de apontar o erro do irmão. Mais do que maldade, trata-se de uma ingenuidade com relação a si mesma, de alguém que vive a imaturidade típica da infância e que necessita de ajuda para se conhecer. Uma outra situação seria da pessoa que até reconhece que tem erros, mas os considera sempre menos nocivos que do irmão; até admite que não é uma pessoa perfeita, mas os erros do irmão são sempre piores. E por fim, a mais grave, é da pessoa que tem consciência de seus limites e fraquezas, mas por interesses egoístas ou buscando desviar a atenção de seus erros, expõe o erro do irmão, muitas vezes fazendo um espetáculo grotesco sobre a fraqueza humana.


O livro do Eclesiástico destaca o poder da palavra, de revelar o que está no coração de cada pessoa. Na cultura judaica, a palavra é a própria interioridade da pessoa que se torna manifesta. Por isso, o cuidado de não nos deixamos levar pelas aparências, mas buscarmos conhecer o que o outro é em profundidade. E também a prudência em nossas palavras, pois elas revelam se o nosso coração está cheio de inveja e maldade, ou se ele está repleto de misericórdia.


São Paulo, em sua catequese sobre a ressurreição, destaca que a morte foi vencida por Jesus e que nós participamos dessa vitória. Permanecer firmes no caminho do Senhor é buscar sempre mais a coerência de vida, para que, do nosso coração se encha do amor divino e de nossa boca brotem palavras de misericórdia e não de condenação, e assim sejamos promotores da salvação que vem de Deus.

 

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