Comentários das Liturgias

4º DOMINGO DA QUARESMA

4º DOMINGO DA QUARESMA
Js 5,9a.10-12 / Sl 33 / 2Cor 5,17-21 / Lc 15,1-3.11-32

filhoProdigoEm nossa caminhada de conversão quaresmal a Palavra de Deus nos convida a celebrar a festa da reconciliação, na certeza de que, quando nos arrependemos, o Senhor está pronto para nos perdoar e nos fazer novas criaturas. Essa festa da vida nova nós contemplamos no gesto de Deus em entregar a terra prometida ao povo da Antiga Aliança, como relata o livro de Josué. O momento da entrada na terra e a colheita dos primeiros frutos revelam a bondade divina, que oferece uma nova vida para seu povo. A celebração da Páscoa, agora na terra Prometida, é a celebração da festa da vida, a proclamação da misericórdia de Deus, que nos resgata das amarras da escravidão e nos faz experimenta seu amor, devolvendo-nos a dignidade.


No Evangelho, a parábola conhecida como do “filho pródigo”, contada pelo próprio Jesus, é a revelação inquestionável da misericórdia divina que renova a nossa vida. Contemplando os três personagens da parábola, logo identificamos o pai com Deus, que é justo e misericordioso. É justo porque não impediu o filho mais novo de sair de casa e também porque nunca deixou faltar o necessário para que o filho mais velho, que ficou em casa, vivesse com dignidade. É misericordioso porque acolhe, sem colocar condições, o filho que confessou seu pecado e mostrou-se arrependido, e igualmente, é misericordioso com o filho mais velho, ao qual deixou aberta a porta da festa, para que dela ele participasse.


O filho mais jovem representa todos aqueles que assumem seu pecado, que “caem em si”, reconhecendo que abandonaram a comunhão com Deus e desceram ao nível mais baixo de humanidade, perdendo a dignidade. O filho mais velho, que visivelmente representa os fariseus e mestres da lei, são aquelas pessoas que se esforçam em fazer a vontade de Deus, mas pecam por se considerarem perfeitas e melhores que os outros. A ilusão de que são irrepreensíveis estimula atitudes de arrogância, que impedem a prática da misericórdia. A quem se identifica com o filho mais jovem, Jesus garante a misericórdia de Deus, desde que o arrependimento seja sincero. A quem se comporta como o filho mais velho, Jesus deixa a porta da festa aberta; mas, para nela entrar é preciso, como Deus, acolher e perdoar.


Humildemente devemos nos assemelhar ao filho mais jovem, e aceitar o convite que nos faz São Paulo, para celebrarmos a festa da reconciliação com Deus. Parece um convite simples, mas na verdade, é algo profundamente exigente. A dificuldade maior está em nós mesmos, porque temos dificuldade em admitir nossos pecados. Por isso São Paulo nos diz: "deixai-vos reconciliar com Deus", ou seja, aceitem reconciliar-se com Deus. Sabemos que Deus está sempre pronto para nos perdoar, mas nós precisamos ter a atitude de humildade, de reconhecer que somos pecadores. Precisamos assumir o nosso pecado, como o filho mais jovem da parábola, que caiu em si e percebeu que estava perdendo sua vida e precisava voltar para os braços do Pai. Se nos considerarmos perfeitos como o filho mais velho, não sentiremos a necessidade da reconciliação com Deus.


Aos que tem discernimento e coragem para admitir os próprios erros, que tem a humildade de buscar a conversão e pedir perdão, Deus espera de braços abertos, para acolher como filho, renovando a vida e devolvendo a dignidade. Mas, quem se considera perfeito e é incapaz de exercer a misericórdia, ficará privado da festa que Deus prepara para todos nós, seus filhos amados.

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