Comentários das Liturgias

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR
Lc 19,28-40 / Is 50,4-7 / Sl 21 / Fl 2,6-11/ Lc 23,1-49

Domingo de RamosA liturgia deste domingo, que dá início às celebrações da Semana Santa, relata a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e nos convida a meditar Sua paixão. Os dois temas desta celebração se complementam, pois Jesus entra na Cidade Santa para cumprir Sua missão de salvador da humanidade, que culminará na oferta de Sua vida na cruz.
Ao entrar em Jerusalém montado em um jumento, Jesus revela o caminho escolhido por Deus para salvar a humanidade. O caminho divino contraria as estruturas humanas, construídas sobre o poder e a dominação, pois propõe a humildade e a doação de si. São Paulo, em seu hino cristológico, descreve de forma belíssima esse plano divino, que se concretiza no caminho da humildade, no esvaziamento total de si.


São Lucas destaca, em seu relato da Paixão do Senhor, o rosto misericordioso de Deus, revelado plenamente em Jesus Cristo. A manifestação plena da misericórdia divina nós contemplamos no gesto de Jesus, de rezar por aqueles que o estavam crucificando, e de oferecer-lhes Seu perdão. Experimentando o sofrimento mais intenso, Jesus não se deixa dominar pelos sentimentos humanos de revolta ou de ódio, e conserva o Seu coração em comunhão com Deus. Nesse gesto de Jesus vemos concretizar-se a profecia de Isaías, sobre o Servo do Senhor, que não oferece resistência aos seus malfeitores, para não usar o mesmo caminho de violência. Escolhe o caminho da fé, da confiança em Deus, de quem receberá o auxílio necessário. Que auxílio recebeu Jesus? Não foi a abolição do sofrimento físico, mas a força espiritual para suportar o sofrimento com serenidade, e ainda mais, oferecer o perdão aos que lhe torturavam.


O gesto de Jesus, perdoando seus assassinos não significa aceitação da violência e da maldade. Ao contrário, apresenta um caminho novo, de misericórdia e de paz. Não responde o mal com o mal, mas sua resposta é afirmativa, de vida e de paz. Essa resposta de vida nós contemplamos também no diálogo com os dois ladrões, crucificados ao Seu lado. Um deles foi incapaz de reconhecer seu pecado e permaneceu rejeitando o Senhor. Já o outro ladrão, arrependeu-se e suplicou o perdão de Jesus. A este foi concedido o perdão e a certeza de que já estava em comunhão com Deus.
Igualmente contemplamos no relato da Paixão apresentando por Lucas, o encontro do Senhor com as mulheres que o acompanhavam chorando. Jesus revela sua misericórdia as consolando e exortando-as a chorarem por todos os que continuarão a ser vítimas das estruturas de injustiça estabelecidas no mundo. É o coração solidário do Senhor, que não se prende ao seu próprio sofrimento, mas é capaz de gestos de solidariedade para com os que sofrem ao seu lado.


Em seu relato da entrada de Jesus em Jerusalém, São Lucas registra uma palavra de Jesus que interpela a todos nós, seus discípulos. Diante da multidão que o aclamava, os fariseus exigiram que Jesus mandasse-os calar. E Jesus responde que, se eles calassem, as pedras gritariam. O grito que não pode ser calado é o grito de fé que devemos proclamar ao mundo, de que Jesus é o Senhor da nossa vida e da nossa história. Ele conduz nossa vida e com Ele caminhamos na concretização de nossa vocação humana e cristã. Num mundo marcado pelo materialismo, onde muitas pessoas, mesmo dizendo que creem, vivem como se Deus não existisse, somos convocados por Jesus a proclamar nossa adesão a Ele, como o verdadeiro Senhor.

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