Comentários das Liturgias

Quinta-Feira Santa 2019

QUINTA-FEIRA SANTA
Ex 12,1-8.11-14 / Sl 115 / 1Cor 11,23-26 / Jo 13,1-15

lavaPesCom a Missa da Ceia do Senhor, iniciamos o Tríduo Pascal, a solene celebração do mistério central de nossa fé: a paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Podemos nos perguntar qual a relação entre a Última Ceia de Jesus com os discípulos e a sua morte e ressurreição? Na Última Ceia Jesus institui a Eucaristia enquanto memorial de seu mistério pascal. Como nos diz São Paulo, todas as vezes que comemos o Pão e bebemos o Vinho Consagrado, estamos proclamando a Páscoa de Jesus e vivendo na esperança de sua vinda gloriosa.


Jesus nos deixa uma forma toda especial de fazer memória de seu sacrifício na cruz pela nossa salvação: a Celebração Eucarística. Não precisamos mais imolar o cordeiro, como no ritual prescrito no Antigo Testamento para celebrar a memória da Páscoa dos judeus, a libertação da escravidão no Egito. Tampouco precisamos subir o monte Calvário para participar da paixão e morte de Cristo, pois o sacrifício de Jesus extinguiu a necessidade de novos sacrifícios. Jesus se ofereceu de forma definitiva, para a salvação da humanidade. Deus não quer sacrifícios, mas quer um coração misericordioso, bondoso e capaz de gestos concretos de amor.


Nesse sentido, Jesus, na Última Ceia substituiu o altar do sacrifício pelo altar da celebração da vida, a mesa da comunhão e da fraternidade. A mesa em torno da qual Jesus reuniu seus apóstolos para a celebração antecipada de sua Páscoa foi o auge de sua missão. O evangelista Lucas dá um destaque especial para o gesto de Jesus de reunir-se à mesa para celebrar a presença do Reino de Deus, Reino de justiça e de misericórdia. Jesus senta-se à mesa com pecadores, com fariseus, com seus amigos. Em suas parábolas, Jesus utiliza a figura do banquete para manifestar a alegria de Deus em reunir seus filhos amados, e também como possibilidade de exclusão, como na parábola do Lázaro e do homem rico. E após sua ressurreição, Jesus reúne-se à mesa com seus discípulos em Emaús e, depois, com a comunidade em Jerusalém. A mesa da Última Ceia é a Mesa da Eucaristia, em torno da qual Jesus hoje reúne a todos nós, seus discípulos, para fazer-nos participar de sua morte e ressurreição, para atualizar em nossa vida a graça da salvação, concedida de forma definitiva em seu sacrifício pascal.


Da mesa da Eucaristia brota a vida da Igreja e a prática cotidiana do amor. Por isso a Igreja nos apresenta, na celebração de hoje, o gesto de Jesus na Última Ceia, de lavar os pés dos discípulos. Além de ensinar que o serviço é o caminho para a concretização do mandamento do amor que todos nós devemos repetir em nosso cotidiano, o gesto de Jesus revela sua misericórdia infinita, pois Jesus lava os pés de todos os apóstolos, inclusive de Judas Iscariotes. Nesse gesto, Jesus revela seu perdão àquele que o trairia. Ao fazer isso, Jesus não perde sua dignidade, mas revela que sua missão é de salvar, mesmo aqueles que não o acolhem e não aceitam seu projeto.


Precisamos valorizar cada vez mais a Eucaristia como banquete da vida, enquanto memorial do maravilhoso gesto de Jesus que nos trouxe a salvação. E que nossa participação nessa mesa do amor nos torne capazes de lavar os pés de nossos irmãos, especialmente aqueles que não aceitam a proposta de Jesus e trilham caminhos errados, pois são estes que mais necessitam experimentar o amor de Deus.

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