Comentários das Liturgias

Vigília Pascal - 2019

VIGÍLIA PASCAL
Gn 1,1 - 2,2 / Sl 103 / Gn 22,1-18 / Sl 15 / Ex 14,15 - 15,1 / Cant. Ex 15,1-6.1-18
Rm 6,3-11 / Sl 117 / Lc 24,1-12

vigiliaPascalNa celebração da Vigília Pascal, a Palavra de Deus revela a presença cada vez mais plena de Deus na vida da humanidade, atingindo seu ápice na ressurreição de Jesus, quando o amor divino é revelado plenamente. No mistério da encarnação e em toda a missão de Jesus, concretizando o Reino de Deus, reconhecemos a revelação do rosto de Deus. Mas a grandeza de Deus só se revelou plenamente no momento da ressurreição, quando Jesus, feito homem igual a nós, superou o mais profundo limite humano: a morte. Ao vencer a morte, Jesus revelou todo o poder de Deus, cuja manifestação teve início no momento da criação.


O relato da criação revela a intrínseca relação entre a criação e a redenção, mostrando que a ressurreição de Jesus já fazia parte do plano divino desde o princípio, quando Deus criou todo o universo, quando instituiu o espaço e o tempo. A criação foi desejada por Deus como manifestação de seu amor, fazendo a vida florescer em todas as criaturas, e, de modo especial, no ser humano, criado a sua imagem e semelhança. Mas, consciente da fragilidade de suas criaturas, Deus também pensou na sua redenção, que se realizou na vitória de Jesus sobre a morte.
Também na história do povo escolhido, Deus revelou seu rosto cheio de amor e de bondade. Um rosto divino que não apenas gera a vida, mas também a defende, a protege. Por isso Deus não aceita sacrifícios humanos, como revela o relato do livro do Gênesis sobre Abraão e seu filho Isaac. Ao recusar o sacrifício de Isaac, Deus já sinaliza a ressurreição de Cristo, como vitória da vida sobre a morte.


Igualmente na libertação do povo escravizado no Egito reconhecemos a presença de Deus como o Salvador, que transforma as cadeias da morte em vida plena. As águas do Mar Vermelho são águas da libertação e águas da vitória que antecipam a experiência do Batismo, a profunda experiência da libertação do pecado e a vitória sobre todas as formas de escravidão.


Toda essa manifestação divina de um amor pleno revelada na história atinge seu ápice na ressurreição de Jesus. Somente o infinito amor por todos nós poderia levar o Criador se fazer criatura, para inaugurar uma nova criação, agora livre de todo pecado. Deus entra na história humana de forma plena e definitiva em Jesus Cristo, e permanece nela até o fim dos tempos, com a força de seu amor e sua graça libertadora. E para que sua presença fosse permanente no meio do mundo, Jesus edificou a Igreja como fonte viva de seu amor, especialmente através dos sacramentos.


Enquanto celebração da vitória de Cristo e a certeza da nossa vitória com Ele, a Vigília Pascal é também a noite sacramental por excelência. Proclamando a ressurreição do Senhor, deixamos Deus renovar em nossa vida a graça santificante que recebemos no Batismo, a qual nos libertou de todo pecado e nos fez ressurgir para uma Vida Nova. Essa presença divina é alimentada constantemente pela Eucaristia, numa eterna participação no mistério pascal de Cristo que nos trouxe a libertação. Assim, novas criaturas que somos pelo Batismo, manifestamos ao mundo a ação de Deus que transforma a história humana, em cada Eucaristia que celebramos. E permitindo que Cristo habite em nós, também nos tornamos instrumentos da presença de Deus no meio do mundo anunciando que o tempo da graça já começou, que a vida é mais forte que a morte.

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