Comentários das Liturgias

6º DOMINGO DA PÁSCOA

6º DOMINGO DA PÁSCOA
At 15,1-2.22-29 / Sl 66 / Ap 21,10-14.22-23 / Jo 14,23-29

jesusEnviaDiscipulosJesus Ressuscitado quer ser fazer presente no mundo, manifestando Seu amor salvífico para toda a humanidade. Por isso convida-nos a acolher Sua Palavra para sermos morada de Seu amor no meio do mundo. O Senhor garante Sua presença em nossa história, nos acompanhando enquanto Igreja, quando acolhemos e vivemos Sua Palavra.


Na conversa fraterna com seus discípulos, no contexto da Última Ceia, Jesus mostra que o discípulo que O ama, guarda Sua Palavra. Fazendo isso, será amado por Deus e tornar-se-á Sua morada. Porque Deus faz morada em todo aquele que guarda sua Palavra, cada pessoa torna-se um templo vivo que revela a presença divina no meio do mundo. Entretanto, o fato de cada pessoa ser morada de Deus não significa uma relação individualista com Deus. Não existem milhões de templos isolados de Deus, pois o Senhor não se deixa fragmentar pelo egoísmo humano. Para ser morada de Deus precisamos viver plenamente nossa vocação de membros do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Há uma relação intrínseca entre a presença de Deus em nós e a nossa comunhão com Deus enquanto Igreja. Jamais podemos ser morada de Deus se estivermos vivendo isolados em nosso egoísmo, rejeitando a vocação recebida no Batismo, de sermos Igreja do Senhor.


O livro do Apocalipse, ao descrever a Cidade Santa, descida do céu, confirma que Deus manifesta a Sua presença no mundo por meio da Igreja, ou seja, por meio da comunhão de todos os batizados, que guardam Sua Palavra. Esta cidade santa é a imagem da Igreja que tem suas raízes na história do povo da Antiga Aliança e está alicerçada sobre os doze apóstolos do Cordeiro; é uma Igreja aberta para todos os povos e nações, com suas doze portas voltadas para os quatro cantos do universo; é uma Igreja que guarda a Palavra de Deus, a verdadeira luz que a ilumina, e por isso ela é a morada de Deus e do Cordeiro no meio do mundo.


Da mesma forma, o livro dos Atos dos Apóstolos mostra como Deus está presente e conduz a Igreja com seu Santo Espírito, em uma situação crucial de sua história. O chamado "Concílio de Jerusalém", a primeira grande reunião dos apóstolos foi um importante momento de decisão a respeito da missão evangelizadora. A questão fundamental era se a salvação concedida por Jesus poderia ser concedida a toda humanidade ou apenas aos judeus. O fundamental do texto é destacar que, a decisão de abrir as portas da salvação a toda humanidade, foi tomada à luz do Espírito Santo. "Decidimos, o Espírito Santo e nós." Essas palavras revelam que é o Espírito Santo quem conduz a Igreja, para que ela seja, de fato, a morada de Deus no meio do mundo.


Há, pois uma relação entre a interioridade e a exterioridade da fé. Cada batizado é morada de Deus ao guardar Sua Palavra e ao deixar-se amar por Ele. Mas ninguém é uma morada individual e isolada do Senhor. É a vivência da eclesialidade que nos permite ser morada de Deus, pois vivendo como Igreja, deixamo-nos guiar pelo Espírito Santo. Sem a vivência interior da fé perdemos o vínculo de amor com Deus e o compromisso pessoal em guardar sua Palavra. Sem a dimensão eclesial corremos o risco de reduzir nossa fé a um sentimentalismo vazio, ou de seguir um Deus criado à nossa imagem e semelhança, deixando de viver a comunhão e a fraternidade tão querida por Jesus.

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