Comentários das Liturgias

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Is 66,18-21 / Sl 116 / Hb 12,5-7.11-13 / Lc 13,22-30

jesusPregandoA Palavra de Deus deste domingo nos ensina que a salvação é dom de Deus oferecido a todos, sem distinção e sem exclusões. Mas, ao mesmo tempo, nos alerta que a perseverança no caminho da salvação não é fácil, pois pertencer ao Senhor, acolher sua graça e lhe permanecer fiel traz implicações sérias para a nossa vida.


São Lucas nos relata o ensinamento de Jesus sobre a salvação quando questionado se seria verdade que poucos se salvariam. A pergunta revela a mentalidade exclusivista da época, de que somente aqueles que pertenciam ao povo de Deus, por serem descendentes de Abraão, receberiam a graça da salvação. Estes já tinham a salvação garantida, não necessitando nenhum esforço para participar dessa graça. Entretanto, o plano de Deus, diferentemente desta compreensão, é de oferecer a salvação para toda humanidade. Essa vontade de Deus já nos é revelada pelo profeta chamado de Terceiro Isaías, que viveu no tempo do pós-exílio, quando o povo de Deus voltou para a terra com a missão de reconstruir sua história. Nesse tempo em que os líderes ensinavam o povo a fechar-se nos costumes e tradições, Isaías anuncia que Deus prepara uma comunidade nova, na qual participarão todos os povos da terra, sem exceções. É a revelação do amor divino que quer reunir junto toda a humanidade para a festa da comunhão eterna.


Em sua resposta, Jesus apresenta um novo critério para a garantia da salvação. O elemento determinante não é a pertença ou não ao povo de Israel, mas a prática da justiça. Na parábola sobre os que ficaram fora da casa quando o dono fechou a porta, Jesus mostra que a causa de não terem entrado foi a injustiça que tinham praticado. E confirma que a salvação é oferecida a todos ao dizer que virão pessoas de todos os cantos do mundo, para tomar lugar na mesa do Reino. Mas ensina também que a porta da salvação é estreita, ou seja, que exige uma coerência de vida, um compromisso com Deus.


O caminho da salvação exige que sejamos capazes de praticar a justiça, a solidariedade e a misericórdia. E essa proposta de Jesus não é fácil. Em nossa realidade atual vemos muitas pessoas que praticam a injustiça, dominadas pela corrupção, progredindo materialmente, ostentando uma vida de luxo. E nos questionamos, será que vale a pena ser justo, renunciando a tantas vantagens materiais? Igualmente vemos pessoas que pensam somente em si, voltadas unicamente para seus interesses, sem se importar com o sofrimento do irmão, e que aparentemente vivem em paz. E nos questionamos: será que vale a pena ser solidário, renunciando a tantas comodidades para ajudar o irmão? E diante de tantos casos de violência e até mesmo de situações em que sofremos por causa da maldade dos outros, nos perguntamos: será que vale a pena ser misericordioso?
Ser justo, solidário e misericordioso em nossa sociedade atual exige esforço. Infelizmente nossa cultura atual não nos educa para o sacrifício, pregando a ilusão de uma vida sem dificuldades. É nesse sentido que entendemos as palavras da Carta aos Hebreus, salientando o aspecto positivo das dificuldades enfrentadas enquanto oportunidade para o nosso crescimento humano e espiritual. Quando perseveramos no caminho de Deus, Ele nos educa, corrigindo-nos com Seu amor. A correção não é agradável, pois pode trazer sofrimentos, mas produz paz e justiça. Deixemos, pois, que o Senhor nos corrija e nos conserve no caminho da salvação, na prática da Sua justiça.

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