Comentários das Liturgias

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Ex 32,7-11.13-14 / Sl 50 / 1Tm 1,12-17 / Lc 15,1-32

filhoProdigoNa atual cultura marcada por tanta intolerância e espírito de vingança, que nega uma nova chance aos que caem no erro, Jesus Cristo revela-nos uma atitude diferente de Deus, sempre pronto para misericordiosamente perdoar os que "caem em si" e reconhecem que perderam o Seu amor paterno.


Esse rosto misericordioso de Deus fora ofuscado no Antigo Testamento pela imagem de um Senhor legalista e até intolerante. Entretanto, o livro do Êxodo recorda um importante gesto de misericórdia divina, frente a idolatria do povo, que no deserto, a caminho da Terra Prometida, quebra a Aliança e forja um bezerro de metal para adorá-lo como seu senhor. Diante da intercessão de Moisés, Deus não rejeita seu povo e oferece o perdão. Perdoar não significa concordar com o erro, mas oferecer uma chance de salvação ao pecador que se arrepende. Deus não concorda com o pecado, mas está sempre pronto para salvar o pecador arrependido.


A revelação da misericórdia divina é uma característica do Evangelho de Lucas, que tem seu "coração" no capítulo 15, com as três parábolas que retratam a alegria de Deus diante da conversão do pecador. As parábolas narram a perda de algo importante e a alegria pelo reencontro. Há uma progressão na importância do reencontro, que na primeira parábola é de uma ovelha, na segunda é de uma moeda e por fim, de um filho imaturo que abandona a casa paterna.


Estas parábolas Jesus as conta para dois grupos distintos: de um lado os pecadores que reconheciam em Jesus a possibilidade da salvação e de outro os fariseus e mestres da Lei, que se consideravam justificados pela observância dos preceitos divinos. O diálogo é uma resposta que Jesus dá a estes, que se escandalizavam por sua atitude de acolhida aos pecadores. Os dois filhos da terceira parábola são facilmente identificáveis com os interlocutores de Jesus: o filho mais jovem retrata a atitude dos pecadores, que reconhecem seu pecado e querem voltar à comunhão com Deus; o filho mais velho é a imagem dos fariseus e mestres da Lei que, se consideram perfeitos porque cumprem os preceitos religiosos, mas não são capazes de reconhecer seus erros, considerando-se mais justos que os demais e em condições de não aceitar o irmão arrependido. O pai é a revelação plena do rosto de Deus, que não tolhe a liberdade humana, permitindo que escolhamos nossos caminhos, mas que está sempre pronto para nos acolher e renovar a nossa vida, quando tropeçamos em nossa fragilidade humana e caímos. A túnica nova é a vida nova que Deus nos dá, o anel é a garantia de que Ele continua nos amando com amor paterno, e a sandália aos pés, a certeza de que Deus nos deixa livres para escolhermos permanecer ao seu lado. E a liberdade é fundamental, pois somente quem é livre pode manifestar verdadeiramente o amor. Deus nos deixa livres para que possamos fazer a escolha de amá-Lo com sinceridade de coração.


São Paulo testemunha essa grandeza do coração divino, que não se prendeu às atitudes erradas que ele cometera na ignorância de quem não tem fé, ao blasfemar, perseguir e insultar o Evangelho de Jesus. Paulo experimentou a graça divina, que em Cristo, concedeu a salvação aos pecadores. Como Paulo, temos a alegria de saber quem a graça divina transborda em nosso favor, para nos salvar o pecado. E que essa certeza nos torne misericordiosos com os irmãos que erram e necessitam de salvação.

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