Comentários das Liturgias

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM

32º DOMINGO DO TEMPO COMUM
2Mc 7,1-2.9-14 / Sl 16 / 2Ts 2,16 - 3,5 / Lc 20,27-38

JesusOrandoA liturgia deste domingo nos convida a meditar sobre o aspecto central da nossa fé cristã: a ressurreição. Jesus Cristo crucificado venceu a morte e ressuscitou. Este é o mistério Pascal, que celebramos em cada Eucaristia, anunciando a festa da Eucaristia eterna. Cristo ressuscitou e nós, que participamos da vida nova em Cristo pelo Batismo, também ressuscitaremos com Ele.


Entre os judeus era comum a crença que, depois da morte, todos os seres vivos, bons e maus, iam para o xeol, a mansão dos mortos e ali permaneciam para sempre. Entretanto, cerca de 200 anos antes de Cristo, o rei selêucida Antíoco IV Epífanes obrigou o povo judeu a renegar sua fé e aqueles que permaneciam fiéis, eram assassinados. Nesse período de perseguição, a fé na ressurreição começou a ser vivenciada, pois aqueles que morriam fieis, dando testemunho da fé, acreditavam que o Senhor não seria infiel, e não os deixaria mortos para sempre. A fé que nasce neste momento garantia que os injustos, que provocavam o sofrimento e a dor ressuscitariam para a morte eterna, e os que permaneciam fiéis ao Senhor, ressuscitariam para a felicidade eterna. Nesse contexto entendemos o relato sobre os sete irmãos, mortos na presença da mãe, porque se recusaram a comer carne de porco; como isso era proibido pela Lei do Antigo Testamento, desobedecer equivalia a negar a própria fé. Eles preferiram morrer para este mundo e permanecer vivos para Deus na eternidade.
Jesus confirma a certeza da ressurreição na controvérsia com os saduceus, um grupo ligado ao Templo e ao Sinédrio, formado pelas pessoas mais notórias da sociedade da época. Os saduceus não acreditavam na ressurreição, apoiando-se no fato de que nenhuma lei da Torá afirmava que havia vida depois da morte. Apesar desse apego à Lei, para colocar Jesus a prova, ridicularizam a lei do Levirato. De acordo com esta lei do Antigo Testamento, quando um homem morria sem deixar filhos, seu irmão devia casar-se com a cunhada, para garantir a descendência. Os saduceus apresentam a hipótese de uma mulher que se casou com sete irmãos, questionando de quem ela seria esposa depois da morte. Jesus contrapõe-se à essa hipocrisia, ensinando que a existência na eternidade é diferente da existência humana, limitada e finita. Jesus revela que seremos seres espirituais, como os anjos, ou seja, não mais limitados pela materialidade deste mundo e totalmente imersos no amor de Deus.


Tanto no relato dos sete irmãos e de sua mãe, quanto na controvérsia com os fariseus, a Palavra de Deus evidencia algo que é fundamental para nós, cristãos: o nosso Deus é o Deus da Vida. A vida que vem de Deus é a vida plena para todos, que começa agora, neste mundo, mas que não termina quando experimentarmos a morte física, pois nossa existência será plenificada no amor e no poder de Deus. Temos a certeza de que a nossa vida será transformada e que permaneceremos em comunhão com seu amor. São Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses, nos dá a certeza desse amor divino, que nos consola nas dificuldades e sustenta nossa esperança. Deus é sempre fiel, confirmando nossa vida em seu amor e nos guardando de todo o mal. E como o maior mal que podemos enfrentar é a morte, o Senhor nos dá a certeza de que estamos livres deste mal, na certeza de que, se permanecermos fieis a Ele nesta vida, vivendo com Ele, morreremos com Ele e com Ele ressuscitaremos.

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