Comentários das Liturgias

SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS, MARIA

SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS, MARIA
Nm 6,22-27 / Sl 66 / Gl 4,4-7 / Lc 2,16-21

santaMariaMaeDeDeusDentro da espiritualidade do tempo do Natal, quando celebramos o mistério da encarnação, somos convidados a expressar nossa alegria pela maternidade divina de Maria. Quando chegou a plenitude do tempo, como afirma São Paulo na Carta aos Gálatas, Deus assumiu a nossa carne, nossa condição humana, nascendo de uma mulher, nascendo de Maria, a jovem de Nazaré. Professando a fé em Jesus como Deus encarnado, que nasceu de Maria, proclamamos que Maria é a Mãe de Deus. Esse foi o primeiro dogma mariano proclamado pela nossa Igreja, em 431dC, no Concílio de Éfeso.

Todos os dogmas a respeito de Maria encontram seu fundamento na fé em Jesus Cristo; ou seja, a afirmação de que Maria é Mãe de Deus é intrínseca à profissão de fé em Jesus como sendo o próprio Deus, que assumiu plenamente a nossa humanidade.


Em Maria contemplamos a ternura materna, que acolhe a fragilidade do Menino Jesus em seus braços, como São Lucas nos convida a contemplar, na narrativa da visita dos pastores. Nos braços de Maria Santíssima, todos nós cristãos também encontramos a mesma ternura materna, porque Jesus, na cruz, nos deixou Sua Mãe como Mãe de todos os Seus discípulos. Mas Maria compreendeu que sua maternidade era especial, e que seu Filho lhe era superior enquanto Deus encarnado. Por isso, Maria, sendo Mãe, se fez também discípula de Jesus, e é para todos nós, um modelo de discipulado.
Meditando a narrativa de São Lucas, encontramos a descrição de Maria como uma mulher que guardava tudo em seu coração, ou seja, uma mulher que rezava. Assim, ela se torna para nós um modelo de oração, de profunda comunhão com Deus. E é na vida de oração que encontramos cinco graças especiais, a exemplo de Maria.


Era por meio da oração que Maria encontrava resposta para suas dúvidas. Ao aceitar o convite para ser a Mãe do Salvador, a jovem de Nazaré não recebeu um manual com prescrições claras e precisas sobre sua missão. Muitas dúvidas tomaram conta de seu coração e foi na oração, que Maria encontrava as respostas que necessitava. Era por meio da oração que Maria encontrava força para seus passos. Não somente os passos da longa caminhada de Nazaré a Belém, nos momentos finais da gravidez, mas também seguindo os passos de Jesus em sua missão, e especialmente os passos até a cruz. Era por meio da oração que Maria encontrava esperança para sua vida. A esperança é um dom divino que nos traz serenidade quando nos deparamos com vazios existenciais em nossa vida. E como Maria esperou no Senhor, nós também devemos buscar nele a nossa esperança. Era por meio da oração que Maria encontrava sentido para a história, compreendendo que sua vida estava inserida em um projeto maior, o plano salvífico de Deus para toda a humanidade. E finalmente, era por meio da oração que Maria encontrava paz para o seu coração. Paz que é sinônimo de vida em abundância, e que é fruto da bênção divina, como nos ensina o livro dos Números. A paz é um dom divino, que não se resume a ausência de problemas ou quietude interior, mas trata-se de uma realidade onde Deus se faz presente na plenitude de seu amor.


É assim que devemos viver cada instante de nossa vida, cultivando a nossa vida de oração a exemplo de Maria, para que, como ela, possamos receber as graças necessárias para cada instante de nossa história.

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