Comentários das Liturgias
17º DOMINGO DO TEMPO COMUM
17º DOMINGO DO TEMPO COMUM
1Rs 3,5.7-12 / Sl 118 / Rm 8,28-30 / Mt 13,44-52
Toda pessoa tem, em seu íntimo, o anseio de realização plena e tudo faz para alcançá-la. A vida é uma grande arena de constante busca desse tesouro precioso que é realizar-se enquanto ser humano. Entretanto, a cultura hodierna incita a alcançar essa realização unicamente no acúmulo e no consumo de bens materiais. Com isso, as pessoas reduzem seus anseios aos bens temporários e limitados deste mundo, em uma busca insaciável, chegando inclusive a reduzir Deus a uma mera fonte de tais bens.
Diante dessa cultura, a Palavra de Deus nos apresenta a atitude do rei Salomão, ainda jovem e com a responsabilidade de governar um grande reino, que, em oração diante do Senhor, não pede riquezas materiais, nem vida longa, tampouco poder absoluto. Antes, pede um coração compreensivo para bem governar e o discernimento entre o bem e o mal, ou seja, a sabedoria para praticar a justiça. Isso é o fundamental para que Salomão possa realizar-se como pessoa na missão que recebera de Deus e também fazer desta missão uma forma de fazer o bem ao povo que lhe fora confiado.
É nesse contexto sobre o que realmente é valioso em nossa existência humana que entendemos as parábolas sobre o Reino dos Céus, contadas por Jesus aos seus discípulos. Inicialmente Jesus compara o Reino a um grande tesouro e a uma pérola preciosa, cujo valor inestimável leva quem o encontra a investir tudo o que possui para tomar posse de tal preciosidade. Entendemos, assim que o Reino dos Céus é o que de mais precioso podemos encontrar em nossa vida, que dá pleno sentido à nossa existência humana.
Em sua sabedoria infinita, Deus dispôs tudo o que necessitamos para nos realizarmos como pessoas e sermos felizes como irmãos, edificando uma humanidade justa e solidária. Dessa forma, aprendemos com Jesus que a realização humana só é possível quando abraçamos o projeto de Deus para a nossa vida e para toda a criação. Não se trata, pois, dos projetos individualistas, que reduzem os anseios humanos aos desejos e vontades egoístas ditados pela cultura materialista. A realização de cada pessoa está intimamente ligada a vivência da harmonia com toda a criação e da fraternidade com todas as pessoas. Nesse sentido, São Paulo, escrevendo aos Romanos, afirma que Deus tem um projeto de amor para nós. Ele predestina toda a humanidade à salvação, e nos chama para sermos justificados e glorificados. Aqueles que O aceitam e O amam, tem a certeza de que o Senhor fará com que tudo contribua para o seu bem e sua salvação.
Somos pois convidados a buscar com consciência esse projeto divino e a vivê-lo com responsabilidade, pois as escolhas que fazemos nesta vida determinam toda a nossa existência, não apenas neste mundo, mas que também adentram na vida eterna. Esse é o ensinamento que Jesus nos transmite com a parábola da rede lançada ao mar, que recolhe todo tipo de peixes e que são separados posteriormente. Assim também acontecerá conosco, pois no conjunto de nossa história serão reveladas as escolhas éticas que fizemos, acolhendo ou recusando o Reino de Deus. Quem acolhe o projeto de Deus como o maior tesouro, como o bem mais precioso, sendo capaz de renunciar a tudo o que impede sua realização, orienta sua vida para a plena felicidade, e tem a certeza de que no final desta vida material, brilhará na glória de Deus, porque escolheu viver cada instante orientado pela sabedoria divina.