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Estudo das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026–2032) trazem orientações e prioridades da Igreja para os próximos...

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COMENTÁRIOS DAS LITURGIAS

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17º DOMINGO DO TEMPO COMUM 17º DOMINGO DO TEMPO COMUM1Rs 3,5.7-12 / Sl 118 / Rm 8,28-30 / Mt 13,44-52 Toda pessoa tem, em seu íntimo, o anseio de realização plena e tudo faz para alcançá-la. A vida é uma grande arena de constante busca desse tesouro precioso que é realizar-se enquanto ser humano. Entretanto, a cultura hodierna incita a alcançar essa realização unicamente no acúmulo e no consumo de bens materiais. Com isso, as pessoas reduzem seus anseios aos bens temporários e limitados deste mundo, em uma busca insaciável, chegando inclusive a reduzir Deus a uma mera fonte de tais bens. Diante dessa cultura, a Palavra de Deus nos apresenta a atitude do rei Salomão, ainda jovem e com a responsabilidade de governar um grande reino, que, em oração diante do Senhor, não pede riquezas materiais, nem vida longa, tampouco poder absoluto. Antes, pede um coração compreensivo para bem governar e o discernimento entre o bem e o mal, ou seja, a sabedoria para praticar a justiça. Isso é o fundamental para que Salomão possa realizar-se como pessoa na missão que recebera de Deus e também fazer desta missão uma forma de fazer o bem ao povo que lhe fora confiado. É nesse contexto sobre o que realmente é valioso em nossa existência humana que entendemos as parábolas sobre o Reino dos Céus, contadas por Jesus aos seus discípulos. Inicialmente Jesus compara o Reino a um grande tesouro e a uma pérola preciosa, cujo valor inestimável leva quem o encontra a investir tudo o que possui para tomar posse de tal preciosidade. Entendemos, assim que o Reino dos Céus é o que de mais precioso podemos encontrar em nossa vida, que dá pleno sentido à nossa existência humana. Em sua sabedoria infinita, Deus dispôs tudo o que necessitamos para nos realizarmos como pessoas e...
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16º DOMINGO DO TEMPO COMUM 16º DOMINGO DO TEMPO COMUMSb 12,13.16-19 / Sl 85 / Rm 8,26-27 / Mt 13,24-43 A realidade humana é marcada pela ambiguidade do pecado e da graça. Coexistem, em nossa vida e em nossa história, o bem e o mal. A incompreensão acerca da origem do mal e a falta de clareza sobre o que fazer diante de sua manifestação muitas vezes geram a falta de confiança no poder do bem e a apatia diante da necessidade de superá-lo e transformar a nossa realidade. Para nos ensinar sobre a força do amor e do bem, que podem transformar a realidade, Jesus nos apresenta as parábolas do trigo e do joio, da semente e do fermento. Estas parábolas, do capítulo treze do Evangelho de Mateus, são um aprofundamento que Jesus convida a fazer sobre o mistério do Reino dos Céus, diante da incompreensão e da rejeição que as autoridades e também o povo manifestaram diante dos sinais que Ele realizara. A parábola do joio e do trigo nos ensina que o bem e o mal fazem parte da realidade humana, seja na vida pessoal de cada um, seja na história. Entretanto, o mal não vem de Deus e nem é desejado por Deus, como um castigo imposto à humanidade, ou como uma forma de provação. De Deus vem somente o bem, simbolizado no trigo que é semeado no campo. O mal é fruto do pecado, simbolizado no joio, que é espalhado quando o ser humano se deixa dominar pelo inimigo. Diante da consciência do mal em nossa realidade, a primeira proposta é de arrancar o mal, como se arranca o joio que brota no meio da plantação. Entretanto Jesus nos alerta para um grande perigo, que é a falta de clareza e do discernimento necessário para essa ação radical, correndo o...
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15º DOMINGO DO TEMPO COMUM 15º DOMINGO DO TEMPO COMUMIs 55,10-11 / Sl 64 / Rm 8,18-23 / Mt 13,1-23 Vivemos na era da comunicação globalizada, na qual as informações circulam com facilidade e com velocidade. Esse contexto tem o aspecto positivo de possibilitar a comunicação de forma livre e do acesso a muitas fontes de informação, mas também favorece a banalização da palavra, pois todos falam o que querem, muitas vezes sem fundamento ou sem compromisso ético. Nessa realidade, a própria Palavra de Deus é banalizada, ou equiparada às palavras humanas e até mesmo ignorada. Diante desse contexto somos convidados a meditar sobre a importância da Palavra de Deus e sua incidência em nossa vida. O profeta Isaías compara a Palavra divina com a chuva e a neve, que não voltam para o céu sem antes fecundar a terra, mostrando que a Palavra de Deus tem força e poder de gerar aquilo que significa. Na cultura judaica, a palavra tinha uma densidade existencial e histórica, pois era entendida como a manifestação da interioridade de quem a pronunciava, não se tratando, pois, de meros sons ou sinais. A Palavra divina é então, a própria essência de Deus que é revelado à humanidade para fazer acontecer Sua santa vontade.Deus não somente garante a fecundidade de Sua Palavra, mas também deixou em nosso coração o ardente desejo de buscá-la como luz para nossos passos; entretanto, deu-nos também a liberdade para acolhê-la ou rejeitá-la. Aqueles que a acolhem, intensificam a comunhão com o Senhor, mas aqueles que a rejeitam, ficam cada vez mais perdidos e sem sentido para sua vida. Diante da oposição aos ensinamentos e gestos que realizara, fazendo acontecer o Reino, Jesus aprofunda seu sentido por meio de parábolas, comparando a Palavra que Ele anuncia à semente, e o coração humano, ao terreno que a recebe....
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14º DOMINGO DO TEMPO COMUM 14º DOMINGO DO TEMPO COMUMZc 9,9-10 / Sl 144 / Rm 8,9.11-13 / Mt 11,25-30 A liturgia deste domingo convida-nos a refletir sobre duas virtudes cristãs: humildade e mansidão. Humildade vem do latim humilitas, cujo sentido está ligado a humus, ou seja, é uma referência ao solo. Entre os significados utilizados, podemos encontrar aspectos negativos, como fraqueza, impotência, submissão, e positivos como modéstia, simplicidade, sobriedade. Mansidão é sinônimo de brandura e serenidade, mas muitas vezes é usado com a conotação negativa de apatia, incapacidade de ação. Ao mesmo tempo que tais virtudes são pouco valorizadas e até menosprezadas na cultura hodierna por indicar fraqueza, falta de competitividade, o seu oposto causa indignação e medo, pois atemoriza-nos viver nessa realidade na qual as pessoas vivem sob constante embate, tendendo a aniquilar o outro. Inseridos nessa realidade, somos convidados a imitar Jesus, que se apresenta como manso e humilde de coração. Jesus elogia os pequenos e pobres que, sendo excluídos pelas estruturas sociais e culturais da época, reconhecem nEle o Salvador prometido, que viera para solidarizar-se com os humildes. Esta atitude de acolhida contrapõe-se ao comportamento dos habitantes de Corazim, Betaida e Cafarnaum, que vendo os sinais realizados por Jesus não acolhem Seu projeto de salvação. Igualmente aos que o acusavam de beberrão e comilão por fazer refeição com os pecadores, e até mesmo a João Batista, que manda seus discípulos questionarem se Jesus era mesmo o Messias. Dentro da dinâmica do seu Evangelho, Mateus apresenta a incompreensão que Jesus sofreu e a rejeição ao projeto do Reino. Mas, àqueles que abrem seu coração para acolhê-Lo, Jesus convida-os a entregar seus fardos, para que Ele os alivie e restaure suas forças. Além disso, Jesus convida a imitar Suas atitudes de humildade e mansidão, como caminho de verdadeira humanização de si mesmo e...
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SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULOAt 12,1-11 / Sl 33 / 2Tm 4,6-8.17-18 / Mt 16,13-19 A Igreja reúne em uma única festa os dois grandes apóstolos que, por diferentes meios, dedicaram-se ao anúncio do Evangelho e à edificação de Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Por sua vivência como discípulos, pelo seu ardor missionário e pela sua fidelidade radical até o martírio, São Pedro e São Paulo são aclamados como as duas colunas da nossa Igreja. Celebrar a memória desses apóstolos é uma oportuna ocasião para refletirmos sobre a nossa vida de discípulos missionários de Jesus. A Palavra de Deus desta solenidade nos convida a contemplar a vida e a missão desses dois apóstolos em duplo aspecto: cristológico e eclesiológico. O primeiro aspecto refere-se à relação de Pedro e Paulo com o próprio Jesus, e o aspecto eclesiológico faz referência a sua atitude como pedras vivas da Igreja. Tudo em nossa vida parte de Cristo e a Ele se refere, por isso aprendemos com Pedro e Paulo que a intimidade espiritual com o Senhor é fundamental para ser discípulo. Contemplando a vida dos dois apóstolos, compreendemos que não é possível ser discípulo de Jesus fora da Igreja, desvinculado da comunhão com o Corpo de Cristo. A centralidade de Cristo na vida desses dois apóstolos é perceptível na profissão de fé autêntica e segura feita por Pedro, diferenciando-se da superficialidade da fé da maioria do povo, Isto nos mostra que, para ser discípulo de Jesus, é necessária uma fé sólida e consciente, capaz de determinar e sustentar nossas escolhas. A resposta de Jesus a Pedro revela que a fé é um dom de Deus. É o Senhor quem concede aos que se abrem à Sua graça, as condições necessárias para crer, ou seja, para realizar uma verdadeira adesão existencial...
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12º DOMINGO DO TEMPO COMUM 12º DOMINGO DO TEMPO COMUMJr 20,10-13 / Sl 68 / Rm 5,12-15 / Mt 10,26-33 Repletos do Espírito Santo, somos enviados ao mundo para anunciar a Palavra de Deus em nossa família, em nosso trabalho, em todos os ambientes nos quais vivemos, perseverando na prática da justiça. Entretanto, nem sempre o anúncio da Palavra é acolhido com amor. Onde impera o pecado, a Palavra não é aceita e aqueles que a anunciam são rejeitados e até perseguidos. Por isso somos convidados neste domingo a renovar em nosso coração a certeza de que Deus não nos deu um espírito de medo, mas de força, de amor e de sabedoria. O medo faz parte da nossa condição humana, pois não somos seres perfeitos, nem tampouco onipotentes. Quando tomamos consciência de nossa fragilidade diante de alguma realidade que supera nossas capacidade, ficamos abalados. Entretanto, não podemos sucumbir ao medo, mas buscar em Deus a força que nos sustenta e nos ampara, complementando nossas buscas humanas. Essa foi a experiência que fez o profeta Jeremias, enfrentando a perseguição e o abandono por causa da Palavra de Deus. Diante da situação de injustiça social e de infidelidade religiosa de seu tempo, Jeremias não se cala e proclama que tais atitudes levariam o povo a uma situação de caos social, como aconteceu de fato, na perda da terra, da liberdade e na deportação para o exílio na Babilônia. Acuado por causa da rejeição ao anúncio que fazia da Palavra de Deus, Jeremias busca no Senhor a força que lhe falta, reconhecendo que Deus permanece ao seu lado como forte guerreiro que o protege e o guarda. Essa mesma confiança na presença protetora e amorosa de Deus, Jesus pede que seus discípulos tenham, ao alertá-los sobre os desafios que enfrentariam na missão. As metáforas do fio de...
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11º DOMINGO DO TEMPO COMUM 11º DOMINGO DO TEMPO COMUMEx 19,2-6a / Sl 99 / Rm 5,5-11 / Mt 9,36 – 10,8 Diante das muitas situações sociais que atualmente impedem a vida em plenitude, a Palavra deste domingo nos apresenta o convite divino para sermos seus colaboradores, manifestando ao mundo a grandiosidade de Seu amor, em gestos concretos de vida e salvação. No Evangelho contemplamos a sensibilidade de Jesus diante do sofrimento do povo e o envio dos apóstolos para continuarem Sua missão. Os últimos versículos do capítulo 09, que encerram a parte narrativa do segundo livrinho do Evangelho de Mateus, sobre a dinâmica do Reino, mostram que Jesus tem compaixão da multidão, cansada e abatida, porque estão como ovelhas sem pastor, ou seja, abandonadas pelas autoridades da época, que não lhe garantem vida plena. E, diante das necessidades do povo, pede que rezemos ao Pai, suplicando que envie mais operários. O capítulo 10, a parte discursiva do segundo livrinho, traz os ensinamentos de Jesus sobre a missão que Ele confia ao grupo dos doze apóstolos. Essa iniciativa de Jesus, de formar o grupo dos doze e confiar a eles a continuidade da sua missão, lembra a atitude divina de propor ao povo de Israel a aliança no Sinai. O livro do Êxodo narra o momento em que, na caminhada pelo deserto rumo à terra prometida, o Senhor convida o povo que libertara da escravidão no Egito a se tornar o Seu povo. Faz dele um reino de sacerdotes e uma nação santa, ou seja, convoca-o a ser, no meio do mundo, um sinal de seu amor divino que liberta e salva. A realidade da comunidade de Mateus, formada em sua maioria por cristãos oriundos do judaísmo, explica a ordem de Jesus, de irem primordialmente às ovelhas perdidas da casa de Israel. A missão que...
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SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHORAt 1,1-11 / Sl 46 / Ef 1,17-23 / Mt 28,16-20 A Solenidade da Ascensão de Jesus aos céus é celebrada quarenta dias depois da Páscoa, conforme as palavras de São Lucas, no início do livro dos Atos dos Apóstolos, afirmando que Jesus apareceu aos discípulos durante quarenta dias, ensinando-os, antes de elevar-se aos céus. Visando uma efetiva participação dos fiéis, a Igreja no Brasil transfere a celebração dessa solenidade para o domingo seguinte. Contemplando Jesus que ascende aos céus, reconhecemos o pleno cumprimento de Sua missão salvífica. No mistério da encarnação proclamamos que o Senhor esvaziou-se de si mesmo e assumiu a nossa condição humana para nos libertar do pecado. Ao vencer a morte em Sua ressurreição e ascender aos céus, Jesus retoma sua condição divina, agora como Cabeça da Igreja, que é o Seu corpo, como ensina São Paulo na Carta aos Efésios. Jesus glorioso porém, não se afasta de nossa humanidade, e sim abre as portas da eternidade para que nós sejamos herdeiros da Sua glória. Vencedor da morte e sentado à direita do Pai, Jesus Cristo é o Senhor a quem estão submetidos todo poder, toda autoridade, toda soberania ou título humano. É a certeza de que o Seu Reino de justiça, de amor e de paz acontecerá em plenitude. E, dessa vitória do Reino, Ele nos fez anunciadores. Ao ascender aos céus, Jesus confiou aos seus discípulos a mesma missão que Ele assumiu e cumpriu plenamente. Ele nos tornou suas testemunhas, na missão que deve alcançar os confins da terra. São Mateus destaca, na narrativa da Ascensão de Jesus, o mandato missionário concedido aos discípulos: ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando e ensinando. Estas são as duas dimensões da missão que a Igreja, enquanto Corpo de Cristo, deve...
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10º DOMINGO DO TEMPO COMUM 10º DOMINGO DO TEMPO COMUMOs 6,3-6 / Sl 49 / Rm 4,18-25 / Mt 9,9-13 O rosto misericordioso de Deus, revelado desde o Antigo Testamento, se torna pleno nas palavras e nos gestos de Jesus, contrastando com a cultura da vingança e da condenação que persiste em nossa sociedade. Com a narrativa da própria conversão, Mateus convida-nos a experimentar a misericórdia divina, que nos chama para uma vida nova. Contemplando as diferentes personagens que aparecem na narrativa, somos convidados a avaliar a nossa fé e as nossas atitudes. Inicialmente contemplamos a atitude de Jesus, que vai ao encontro de Mateus na coletoria de impostos, ou seja, na realidade existencial na qual ele estava inserido. Deus não nos abandona, mesmo quando estamos envolvidos pelo pecado. Ele vem ao nosso encontro e nos chama para uma vida nova. Em seguida somos convidados a reconhecer a paciência de Deus, que insiste no convite para renovarmos a nossa vida. A narrativa de Mateus, para indicar a mudança radical que aconteceu, dá a ideia de uma conversão imediata diante do chamado de Jesus. Mas a conversão é sempre um processo, muitas vezes doloroso e difícil, pois exige renúncias e sacrifícios. Outra atitude importante que Jesus nos ensina é a acolhida que Ele oferece aos amigos de Mateus, cobradores de impostos e pecadores, que participam da refeição da casa de Mateus. Com isso Jesus nos mostra que Deus não ama somente os que são justos, mas ama a todos, inclusive os pecadores, pois sabe que somente Seu amor pode propiciar uma caminhada de conversão. Contemplando o gesto de Mateus, de levantar-se da coletoria de impostos e seguir Jesus, enxergamos nele a nossa realidade humana, de contínuo levantar-se de situações de pecado para sermos mais fiéis a Jesus. Mas isso não é fácil, como não foi fácil...
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SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADEEx 34,4b-6.8-9 / Dn 3,52-56 / 2Cor 13,11-13 / Jo 3,16-18 Encerrado o Tempo Pascal, retomamos o Tempo Comum cuja espiritualidade revigora o compromisso com a missão que Jesus confiou à Igreja, formada por todos os batizados, e para a qual enviou a força do Espírito Santo. Sendo nossa missão levar a presença de Deus a toda humanidade, a liturgia desta solenidade convida-nos a contemplar a identidade divina, que se revela no mistério da Santíssima Trindade como um único Deus em três pessoas distintas. Muitas reflexões teológicas foram sistematizadas para tentar explicar racionalmente esse mistério. Entretanto, a identidade divina transcende nossa capacidade humana de entendimento e, sem obscurecer nossa racionalidade, convida-nos a contemplar esse mistério de amor. Não se trata porém, de uma contemplação alienada, que nos afasta da realidade em que vivemos, mas de uma contemplação existencial, que oferece luzes à nossa vida e ao compromisso com a condução da nossa história. Somos, pois, chamados a manifestar nossa participação nesse mistério no concreto de nossa existência, estabelecendo novas formas de relacionamento. No princípio do mistério trinitário está a comunhão, que implica ao mesmo tempo na conservação da identidade de cada uma das Pessoas Divinas e na plena unidade fundamentada na igualdade de sua substância divina. Essa comunhão trinitária estende-se a toda a humanidade, num profundo dinamismo de comunicação do amor. Por isso Deus faz a Aliança com seu povo e, mesmo diante da rejeição ao Seu amor, não o abandona, oferecendo novamente a possibilidade da comunhão, como nos revela o episódio narrado no livro do Êxodo. Deus atende assim, ao pedido de Moisés e caminha com Seu povo, concedendo-lhe a vida plena. Este mistério da identidade divina, expresso ainda em sinais no Antigo Testamento, tornou-se plenamente manifesto em Jesus Cristo e na efusão do Espírito Santo,...
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SOLENIDADE DE PENTECOSTES SOLENIDADE DE PENTECOSTESAt 2,1-11 / Sl 103 / 1Cor 12,3b-7.12-13 / Jo 20,19-23 Com a Solenidade de Pentecostes celebramos a efusão do Espírito Santo de Deus, consumando a espiritualidade do tempo pascal: o Senhor Jesus, que ofereceu a sua vida em sacrifício na cruz e venceu a morte na força da ressurreição, concede seu Santo Espírito aos discípulos, para que sejam continuadores de sua missão salvífica, edificando uma nova humanidade, livre do pecado. Na força do Espírito Santo, a Igreja que nasce do gesto amoroso de Jesus, ganha um impulso divino para edificar o Reino de Deus. São João associa o envio do Espírito Santo à ressurreição de Jesus. Na narrativa de seu Evangelho os dois eventos se realizam no mesmo dia, o primeiro da semana, mostrando que a nova criação, realizada pela ressurreição de Jesus, é confiada aos cuidados da Igreja, a qual é enviada ao mundo para ser instrumento de reconciliação e de paz. Os discípulos, isolados por causa do medo, são transformados em missionários da salvação. Em nossa vida experimentamos o medo em diferentes ocasiões, diante dos obstáculos, dos problemas, dos desafios. O medo faz parte da nossa realidade humana, mas não podemos deixar que ele impossibilite a nossa missão. Nessas situações de fragilidade existencial, o Espírito Santo nos liberta de todo medo, de tudo o que nos paralisa e nos impede de crescermos espiritualmente. São Lucas retoma a liturgia judaica, na qual Pentecostes era celebrado cinquenta dias depois da Páscoa. Inicialmente era uma festa agrícola, para louvar a Deus pela alegria da colheita e, posteriormente ganhou um sentido histórico, celebrando a entrega da Torá, da Lei, ao povo na proclamação da Aliança. Vemos na narrativa dos Atos dos Apóstolos que, na festa do Pentecostes judaico, os discípulos receberam o Espírito Santo e, cheios de seus dons,...
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6º DOMINGO DA PÁSCOA 6º DOMINGO DA PÁSCOAAt 8,5-8.14-17 / Sl 65 / 1Pd 3,15-18 / Jo 14,15-21 Vivenciando a espiritualidade pascal, somos convidados a testemunhar Jesus Ressuscitado, guardando seus mandamentos, especialmente na prática do amor, em atitudes que promovem a vida e a paz. O amor cristão não pode ser entendido como um mero sentimento interior, mas como o propulsor de um comportamento benevolente, em vista da felicidade do irmão. Jesus nos ensina que há um vínculo indissociável entre o amor e o cuidado e promoção da vida, ao afirmar que aquele que O ama guarda Seus mandamentos. Não é possível amar somente com palavras, sem gestos e atitudes objetivas. Jesus nos amou de forma concreta, doando Sua vida para nos salvar, por isso a vivência do mandamento do amor é o vínculo perfeito de comunhão com Ele. Em nosso mundo atual, o amor foi descaracterizado, assumindo significados que o afastam do sentido proposto pelo Senhor. Jesus nos amou gratuitamente, sem esperar nada em troca. Em nossa sociedade capitalista, os relacionamentos humanos foram afetados pelas relações comerciais, dificultando a vivência da gratuidade. O valor de uma relação é dada pelo ganho afetivo ou material que dela se obtém. Só se faz o bem se houver recompensa e ninguém se dispõe a sofrer para fazer o bem e evitar o mal, como ensina São Pedro. Outra característica do amor é o altruísmo, ou seja, a exemplo de Jesus, que renunciou a si mesmo, oferecendo-se pela nossa salvação, devemos voltar nossa atenção para também cuidar do irmão e não somente pensar em nós mesmos. Entretanto, nossa cultura individualista nos leva a condicionar as atitudes de bondade para com o outro à realização de nossos interesses. Dessa forma, se o relacionamento com o outro é vantajoso, então é conservado; na medida em que não satisfaz os...
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