Comentários das Liturgias
3º DOMINGO DA QUARESMA 2025
3º DOMINGO DA QUARESMA
Ex 3,1-8a.13-15 / Sl 102 / 1Cor 10,1-6.10-12 / Lc 13,1-9
O tempo da quaresma nos convida a mudança da nossa vida, mas podemos encontrar dificuldades para progredir nessa caminhada de santificação, por causa do medo de assumir nossos pecados, pensando que Deus não vai nos perdoar ou que vai nos castigar. Esta imagem deturpada de Deus se torna um obstáculo à caminhada de fé e de libertação de muitas pessoas. Para superar essa visão distorcida de Deus, a liturgia deste domingo nos revela que Deus é profundamente misericordioso e se faz presente na história humana concedendo a salvação aos que reconhecem suas limitações.
Nesse sentido o livro do Êxodo nos apresenta uma das mais belas passagens da Sagrada Escritura, a qual revela o rosto de Deus como Aquele que está próximo de seu povo, que conhece a realidade onde ele vive e que se sensibiliza diante da opressão que está sofrendo, e por isso vem ao seu encontro para realizar a caminhada de libertação. Deus conhece a existência de cada pessoa e de cada sociedade, em todos os momentos e em todas as épocas da história. E, principalmente, Deus não é indiferente ao sofrimento humano, mas atua positivamente em favor da vida, da salvação. Nosso Deus age em nossa história, transformando o pecado em graça, a morte em vida.
Este rosto bondoso de Deus percebemos também no ensinamento que Jesus faz ao povo, quando recebe a notícia de que Pôncio Pilatos havia mandado matar um grupo de galileus. Segundo a mentalidade da época, a morte daquelas pessoas teria sido um castigo divino, por causa do pecado que teriam cometido. Jesus rejeita essa teologia da retribuição, segundo a qual a prosperidade é um sinal de bênção e os males são castigo de Deus, afirmando que eles não eram mais pecadores que os outros e tampouco foram castigados por causa de seus pecados. Revela assim, que Deus não concorda com o pecado, mas, em sua eterna misericórdia, ama o pecador e almeja que ele realize uma caminhada de conversão. Jesus completa o ensinamento com a parábola da figueira, mostrando que todos nós precisamos nos reconhecer pecadores e necessitados de conversão. Deus confia em nossa capacidade de mudança, e não nos corta, não fecha nossos caminhos, não nos mata e nem mata a esperança de uma vida nova, mas nos fertiliza, para que possamos produzir os frutos que Ele espera.
São Paulo também adverte os cristãos da comunidade de Corinto a olharem para a história e aprenderem com os erros do passado, de modo que possam construir uma nova história, alicerçada na fidelidade ao Senhor. Assumir os erros não nos torna inferiores e nem é causa de humilhação; antes, é uma atitude que nos humaniza, pois ao reconhecermos com humildade a nossa condição humana, e colocarmos os pés no chão de nossa existência, podemos traçar um caminho de libertação e de santificação, na superação de nossos pecados.
Sabemos que a conversão não é um caminho fácil e nem um gesto instantâneo. Mas Deus não desiste de nós, mesmo quando não produzimos os frutos que Ele espera. Pacientemente Ele vem ao nosso encontro para "adubar" a nossa vida. Ele nos fertiliza espiritualmente com sua Palavra, orientando nossos passos no caminho da salvação. Ele nos fertiliza com os sacramentos, especialmente a Reconciliação, que restitui a santidade em nossa vida, e com a Eucaristia, alimento espiritual que nos fortalece, nos sustentando no caminho da justiça, do amor e da paz, pois o Senhor acredita em nossa conversão.