Comentários das Liturgias
7º DOMINGO DO TEMPO COMUM 2025
7º DOMINGO DO TEMPO COMUM
1Sm 26,2.7-9.12-13.22-23 / Sl 102 / 1Cor 15,45-49 / Lc 6,27-38
A Palavra de Deus deste domingo nos apresenta um ideal a ser buscando em nossa caminhada de fé: a vivência do amor não somente para com aqueles que nos amam ou nos fazem o bem, mas para todos, inclusive para aqueles que nos prejudicam. É um caminho exigente e difícil, mas que nos eleva para além da mentalidade de troca e nos coloca no âmbito da gratuidade, nos aproximando de Deus.
São Lucas continua apresentando, no Sermão da Planície, a proposta de Jesus para seus discípulos, O qual afirma, de modo enfático: a vós que me ouvis. Ou seja, trata-se de um caminho para aqueles que abrem o coração e se deixam conduzir pelos ensinamentos do Mestre. É um caminho diferente do proposto pelo mundo, ou mesmo pela realidade existencial humana; por isso a necessidade de acolher as palavras de Jesus.
A proposta de Jesus radicaliza o mandamento do amor ao próximo, revelado desde o Antigo Testamento, pois agora é preciso amar não somente aqueles que nos amam ou que nos fazem o bem, mas manifestar o amor àqueles que nos odeiam, amaldiçoam ou caluniam. Jesus também propõe que o mal sofrido seja respondido com a prática do bem. Oferecer a outra face diante do mal sofrido não significa resignar-se diante do mal, mas dar uma resposta diferente. Se devolvemos o mal sofrido, estaremos praticando o mal e nos assemelhando àquele que nos prejudicou. Como discípulos de Jesus, devemos assumir posturas que sejam qualitativamente superiores àquelas geradas pelo pecado. Devemos buscar cada vez mais nos assemelharmos a Cristo. Por isso também a exortação de não julgarmos e não condenarmos o irmão, mas buscarmos cada vez mais praticar a misericórdia, nos assemelhando a Deus que é misericordioso.
Essa atitude de amar quem nos persegue e de fazer o bem a todos, sem distinção, o Primeiro Livro de Samuel nos apresenta na história do rei Davi. Escolhido por Deus para guiar seu povo, Davi é perseguido por Saul e precisa fugir para salvar a própria vida. E quando tem a oportunidade de vingar-se, recusa-se a matar Saul.
São Paulo, fazendo a catequese sobre a ressurreição de Cristo aos cristãos de Corinto, apresenta Adão e Cristo como modelos diferentes de vivenciar a condição humana. Enquanto Adão é o símbolo do homem que vive apenas sua dimensão natural, terrestre e que se deixa dominar pelos sentimento e desejos humanos, sendo tentado a cair no pecado, Cristo revela a plenitude do ser humano, que busca assemelhar-se cada vez mais a Deus.
O caminho para esse assemelhar-se a Deus é o da misericórdia, buscando um coração que seja capaz de amar de modo gratuito. Quando amamos somente aqueles nos amam ou nos fazem o bem, somos movidos por algum tipo de interesse, pois esperamos receber algo em troca ou queremos retribuir um bem recebido. O verdadeiro amor implica em gestos concretos de ajuda ou de benefício ao outro, sem esperar nada em troca; ou ainda mais, àqueles que, de uma forma ou de outra, causaram algum tipo de prejuízo em nossa vida.
A nós, que ouvimos Sua Palavra, Jesus nos propõe esse caminho novo, diferente do proposto pelo mundo, pois exige a renúncia de desejos e sentimentos. Mas esse é o caminho para nos assemelharmos cada vez mais a Deus, todo misericordioso, e assim refletirmos já na terra, a imagem do homem celeste; ou seja, sermos no meio do mundo um sinal do amor gratuito de Deus.