21º DOMINGO DO TEMPO COMUM
21º DOMINGO DO TEMPO COMUMIs 22,19-23 / Sl 137 / Rm 11,33-36 / Mt 16,13-20 No atual contexto cultural, que radicaliza o conceito de liberdade, compreendendo o ser humano como um indivíduo isolado e sem compromisso com o bem comum, ganha força a mentalidade das relações horizontais que, defendendo a igualdade radical, faz oposição a qualquer forma de hierarquia. A consequência é o esvaziamento da autoridade, em todos os âmbitos de relacionamento, desde a família, a escola, até a sociedade em geral. Além de ser um elemento cultural, essa rejeição à hierarquia também é o reflexo da falta de uma espiritualidade coerente no exercício da autoridade. Todas as vezes que uma pessoa constituída para a missão de liderar não o faz com o intuito de promover o bem comum, mas apenas busca os interesses próprios, não é somente a sua pessoa que fica desmerecida, mas também a própria noção de autoridade. Entretanto, sabemos que, para o bom andamento da vida comunitária, seja na família, na escola, na Igreja ou na sociedade, faz-se necessário a tarefa do governante, ou seja, daquela pessoa que assume a missão de ser responsável pelos demais, guiando-os no caminho correto. Jesus assumiu sua missão de conduzir os discípulos como Mestre e Senhor, mas sempre o fez a partir da espiritualidade do serviço, como bem explicitou ao lavar os pés dos apóstolos na Última Ceia. E tendo consciência da necessidade de uma liderança para a vida de seus discípulos, entregou a Pedro as chaves do Reino dos Céus. Essa tarefa das chaves era considerada muito importante naquela época, como nos mostra a profecia de Isaías. A pessoa a quem o rei confiava as chaves do palácio era uma importante autoridade, pois tinha não somente a atribuição de abrir e fechar as portas, como também era o administrador...