Comentários das Liturgias

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Is 45,1.4-6 / Sl 95 / 1Ts 1,1-5 / Mt 22,15-21

29oDomingo Ano AReconhecer Deus como o único Senhor da nossa vida e da nossa história é o convite que Jesus nos faz, a partir de uma das controvérsias com as autoridades, após sua entrada em Jerusalém. Desta vez são os fariseus que enviam seus discípulos, juntamente com partidários do rei Herodes, com o intuito de armar uma armadilha para Jesus. A pergunta que fazem, se era lícito ou não pagar o imposto a César, tem a forma de dilema, ou seja, qualquer resposta que Jesus desse, estaria negando o projeto do Reino de Deus. Se a resposta fosse afirmativa, Jesus estaria legitimando a dominação do Império Romano com todas as formas de exploração; se dissesse que não era lícito, estaria indiretamente colocando-se ao lado dos grupos políticos que se opunham à dominação estrangeira por meio da violência e da luta armada.


A resposta dada por Jesus, além de expor o objetivo maléfico de seus opositores, revela o esquema idolátrico que sustentava o império romano. Lembremos que os imperadores romanos, e especificamente César Augusto, se autodeclararam divinos e obrigavam o povo a adorá-los como se fossem deuses. Ao destacar a figura de César impressa na moeda, Jesus questiona o culto ao imperador romano, que atribuía a um ser humano o que pertence somente a Deus. Jesus pois, apresenta uma hierarquia de valores, na qual Deus é o Senhor absoluto, e não pode ser comparado aos senhores deste mundo. A moeda, com a figura de César, indica o poder humano, sempre limitado e parcial, que depende da soberania divina e a ela deve estar submetido.


Não podemos entender a resposta de Jesus como a afirmação de uma dicotomia entre as realidades temporais, deste mundo, e as realidades divinas. Não se trata de escolher uma ou outra, pois Deus é o Senhor também deste mundo, e por isso, nós não podemos negligenciar nossa participação nas realidades deste mundo, para cultivar somente a dimensão espiritual. Antes, é um convite para atuarmos decididamente nas realidades temporais, afirmando Deus como único Senhor, colaborando para que Sua vontade prevaleça e se realize em toda a humanidade.


Nesse sentido, o texto do profeta Isaías é um convite para compreender a história humana considerando Deus como seu Senhor absoluto. A profecia anuncia a libertação do povo, por ordem do rei Ciro, como sendo uma manifestação do poder divino. Sob um olhar meramente histórico, vemos uma mudança na política de dominação, quando a Pérsia pôs fim à hegemonia babilônica. Sob este aspecto, a decisão de mandar os exilados de volta para sua terra de origem foi apenas uma estratégia para estimular o desenvolvimento dos territórios conquistados. Mas, aos olhos da fé, Ciro foi um instrumento da vontade divina, que resgatou mais uma vez seu povo da escravidão. A decisão política de Ciro foi a concretização da vontade divina, a fim de que, segundo as palavras do próprio Isaías, todos reconheçam que só há um Senhor, e não há outro.


Como nos orienta São Paulo devemos acolher o Evangelho que chega a nós pela força do Espírito Santo, e vivermos intensamente a fé, a esperança e a caridade: a fé no único e verdadeiro Senhor, a caridade que realiza o plano de Deus, de vida plena para todos, e a esperança no Senhor que conduz a nossa vida e a nossa história. Dessa forma podemos transitar entre as realidade temporais sem absolutizá-las, colocando-as a serviço do Reino de Deus, de justiça, amor e paz.

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